[Eu tenho] Lanterna Verde: O Reino do Amanhã "action" figure

1. Introdução

Uma de minhas histórias em quadrinhos favorita de todos os tempos é “O Reino do Amanhã” (“Kingdom Come“, de Mark Waid e Alex Ross). É uma história sensacional, semi-apocalíptica, sobre mudanças de comportamento, fracasso, arrependimento e redenção. A estrela da minissérie é, sem sombra de dúvidas, um amargurado Superman. Mas ele (e a mini) não teriam tanto brilho sem seus coadjuvantes. Gente de peso, como Batman, Mulher Maravilha, Lex Luthor… E ele: o Lanterna Verde.
Uma coisa curiosa: sempre quando a gente toma conhecimento de uma alteração no roteiro de uma obra foi feita pela editora, o resultado é tragicamente lamentável. Ao menos o que tange minha opinião pessoal, a intromissão da cúpula da DC no projeto de RdA foi sensacional! mas eu explico: todo mundo sabe que o ilustrador Alex Ross, famoso por sua arte realística, é um fã ardoroso dos quadrinhos das Eras de Prata e Ouro, e tende a discriminar tudo quanto é mudança imposta a esses conceitos pela contemporaneidade. Quando Waid escreveu o roteiro de “Reino…”, contemplou um papel, coadjuvante mas importante a um Lanterna Verde, mas sem especificar qual. Pelinha como só ele, Ross enfiou logo Hal Jordan na história. E aí entrou o veto da cúpula da DC: Jordan estava morto, morto e enterrado, e colocá-lo numa história futurista seria gerar sobre a editora uma pressão que ninguém tava afim de agüentar. A solução? Colocar outro Lanterna. A DC teria sugerido Kyle Rayner, mas Ross recusou (sério? Não diga…) e acabou se acertando por colocar aquele que é meu lanterna favorito: Alan Scott, da Era de Ouro! O resultado final foi excelente. Scott tem uma humanidade e uma vida seguida de tragédias pessoais tão significativa que outro Lanterna nenhum sequer chegou perto. Exatamente o tom que a mini pedia.

Em RdA, todos os heróis mudaram. Superman se exilou depois que o mundo preferiu “heróis” que fizessem aquilo que ele nunca aceitou fazer: eliminar os vilões. A Princesa Diana aceitou de vez que, para que haja paz é preciso ter armas para a guerra. Batman levou às últimas conseqüências a máxima de que “o preço da liberdade é a constante vigilância” e fez de Gotham City um forte (de forte-apache) hiper-seguro. Rápido demais, o Flash agora não pára: está em todos os lugares ao mesmo tempo. E o Lanterna Verde, último componente do quinteto maior da DC, no anseio de proteger melhor o planeta simplesmente saiu dele, e passa a observar tudo de cima, num satélite esmeralda. Já não usa mais o famoso anel, nem a limitante bateria: sua armadura encarna a fonte de energia, e seu anel, a arma mais poderosa do universo assumiu realmente essa forma. É uma arma o tempo todo.
Quando eu vi as primeiras imagens das action figures (os famosos bonequinhos) dessa série, enlouqueci. A escultura demonstrava ser nada menos que perfeita, as cores, excelentes e a escolha de personagens tinha tudo para arrebentar. De longe, Batman e Lanterna Verde se tornaram meus alvos (nos sonhos baby, nos sonhos) ideias. Aparentemente tudo ia ficar só no campo do desejo quando uma vendedora do Mercado Livre, com quem já travei contato antes, pôs à venda um Lanterna por um preso irresistível. Era a minha chance! Comprei-o-o!

2. A figura

Um detalhe que eu não havia prestado atenção antes da compra é que a figura do LV que estava adquirindo se referia há uma nova wave de RdA que a DC Direct estava lançando, chamada Re-Activated. Nessa série (que se extende a outras séries DC Direct, não só Kingdom Come) alguns bonecos já lançados tem uma nova remessa, com algumas alterações de pintura e cartela nova. Para RdA, quatro figuras entrarem em Re-Activated: Superman, Mulher Maravilha, Batman e Lanterna Verde. Se isso (o relançamento) tem um lado bom (o barateamento das figuras e uma nova chance de adquiri-las pelos colecionadores… menos atentos ou capacitados) tem também um lado ruim também (a embalagem, que passa longe do capricho da série original e o insosso suporte genérico para a figura). De qualquer forma, para uma análise melhor dos prós e dos contras da linha Re-Activated, aconselho o review da figura do Batman feito pelo camarada Fritador de Pastel, em seu blog Figuras de Ação.
Assim, tirando a pobreza da embalagem a série tem seus ganhos. Ainda, apesar de minha chatice, essa mesma embalagem pode não ser bonita, mas cumpre bem sua função: proteger a figura. O famoso “sarcófago”, aquela espécie de moldura plástica em que a figura vem acomodada é muito bom, bom até demais: chega a dar medo na hora de tirar o LV de lá e estragá-lo!

Aberta a embalagem e tendo retirado com muito cuidado a figura, tomamos conhecimento de que não é mesmo um brinquedo (caso alguém não soubesse até aqui), pois tem-se pouquíssimos acessórios. Na verdade, na embalagem além da figura só temos sua espada e a já hogerizada base genérica. Inclusive, esse caráter “não-brinquedístico” da figura ficará mais evidente logo mais, quando eu me detiver sobre a questão das articulações.
Quanto à figura mesmo, bem, posso dizer pouco dela além de que é belíssima. Escultura e pintura são absurdamente fiéis (tá, os cabelos deveriam ser um pouco aloirados mas… é picuínha demais da minha parte) e a sacada de fazer o personagem com a espada translúcida (poderia ser a lança de justa, que ele também usa na mini e/ou feita em plástico fosco) ficou muito bom. (ainda que aqui caiba nova ressalva: o tom de verde da espada no verso da embalagem está bem mais interessante, ainda que o tom real se aproxime mais do usado na revista). O escultor, Tim Bruckner realmente merece os parabéns.
Afora a questão da cor dos cabelos, não achei nada que pudesse recrimar na figura no quesito pintura/escultura. Talvez umas pequenas (quase imperceptíveis) rebarbas plásticas nas pernas, mas aí eu estaria sendo rabugento. Coisa que eu não sou (rá-rá-rá). Como se pode ver nas fotos publicas neste post (todas as da sessão 2 em diante foram tiradas da minha própria figura) o Lanterna Verde possui as mãos esculpidas em posições distintas: a direita semi-fechada (para segurar a espada) e a esquerda aberta, espalmada. Aqui se encontra minha única crítica real ao trabalho de Tim Bruckner: entendo a função da mão espalmada (segurar a lâmina da espada, repousando-a) mas ele ficou espalmada demais na minha opinião. A mão está muito aberta, numa posição de dedos até meio desconfortável. Por ser praticamente inútil, penso que ele poderia estar fechada, tal qual está na imagem que abre este post. Mas tudo bem.
Um ponto que é sempre importante abordar na análise de uma action figure é a sua capacidade de ação, que se define, sobremaneira, pelo número de articulações que ela tem. Pensando nesse aspecto, eu sequer fico em dúvidas ao qualificar este Lanterna Verde Reino do Amanhã como uma non-action figure ou uma “action” figure: seus pontos de articulação são tão poucos que ele está mais para estatueta, cabem nos dedos de uma mão (do Lula até!): ombros, antebraços (rotação apenas) e pescoço (igualmente apenas rotação). Inclusive a articulação dos ombros é bem limitada pelas ombreiras da armadura, descrevendo pouco mais de 180º de movimentação. Lembra que eu falei do caráter de não-brinquedo da figura? Pois é, as poucas articulações reforçam isso. Certamente que as crianças de antigamente, da minha geração para trás se divertiriam horrores com esta figura (oras, nós adorávamos os heróis Marvel em plástico monocromáticos! Os soldadinhos e índios de plástico estáticos e até – no meu caso – carrinhos de barro!), mas as crianças de hoje, acostumadas com seus Max Steels da vida, certamente quebrariam nosso amigo Alan em dois tempos, tentando fazer com que ele desse um simples chute…
Inclusive, sobre a solidez da figura, ela é tão bem planejada que, exceto por uma ou outra posição (que traga por exemplo a espada muito à frente do corpo) a base é totalmente dispensável. Como se pode ver na figura aí ao lado (que marotamente está apoiada na própria espada).

Bem, o veredicto final (oh redundância!) é somente um, e acaba dependendo mais de você do que de mim: se você é um colecionador de Marvel Legends ou gosta mesmo é de figuras ultra articuladas para fazer milhões de poses nas suas prateleiras (e isso não é crime) passe longe desta figura. Sério mesmo, ela não se presta a isso. É melhor ter esperanças de que um dia a Mattel lance o Lanterna Verde Kingdom Come de variante na série “DC Universe”, te atenderá melhor. Agora, se você gosta de AF’s para enfeite, para embelezar sua mesa ou sua prateleira de encadernados de gibis, e o mais importante, se curtiu (como eu curti) Reino do Amanhã… Meu amigo, abre logo aí seu Mercado Livre e procura a peça. Fale muitíssimo a pena, é realmente uma das mais belas coisas de plástico que já vi. E olha que eu tenho uma parceria de muitos anos com brinquedos e colecionáveis!

Lanterna Verde Reino do Amanhã action-figure, DC Direct (linha Re-Activated) importado

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