Arquivo para Agosto, 2008

[Crônica] Mulheres de Jerusalém

Posted in Eu escrevo on 29 Agosto, 2008 by Lucas Ed.
Duas vezes por semana, quatorze, vinte e quatro horas de cada vez, elas estão lá.
Ainda que eu me disfarce de muro intransponível, de criatura transcendental há ponto de, ao mesmo tempo, saber e não sentir, elas estão lá.
Os olhos são um pouco embaçados às vezes, outras nem tanto. Muitas vezes são simplesmente vazios, lacrimosos, incrédulos. Ao contrário dos curiosos, não fitam as armas dependuradas pelos meus ombros, cintura, mãos. Não olham o carro parado, imponente, bicolor, luzes acesas. Em verdade, nem mesmo me fitam ali, naquele momento. Mas é como se me olhassem por dentro, o tempo todo.
Ao final daquelas horas, armas depostas, carro abandonado, abrigado e imóvel, vou-me de volta para minha própria vida. Aos meus amigos bonitos, inteligentes, bem nascidos, bem alimentados. Vou falar dos casos que vi, das provas que virão, dos jogos de futebol que eu não verei, dos filmes. Fingir que esqueço deles. Dos olhos, das vozes.
Não, eu não vejo a televisão. Não quero saber das notícias ruins, das mortes, dos seqüestros, dos latrocínios e de toda essa sorte de palavras estranhas e ruins que o homem inventa e que, de repente, se voltam contra ele. Ainda que existam, que me possam ser oferecidas coisas boas pela televisão, as ruins são maiores e piores, e eu não quero correr o risco de dar força a eles, aos olhos, às vozes, às lamúrias.
Mas não é possível, pois me seguem.
A primeira, era muito forte. Não chorava. Os olhos estavam um pouco marejados, a voz sem muita força, mas firme. Contou-me a história que eu queria ouvir. Pr’essa senhora, o filho havia morrido no dia do aniversário. Era o caçula de três. Numa escalada de mortos, era o segundo. Talvez o do meio. Morrera por tiros. Do outro lado da arma, um sujeito qualquer, um criminoso como não podia deixar de ser. Um assassino já experimentado, experimentado pelo menos uma vez pregressa: matara também o filho mais velho daquela mulher. Seus olhos marejados ganhavam sentido agora, na fraqueza que transmitiam: eram um tanto quanto acusatórios, como se dissessem, a todo instante, a mesma coisa: “Você não fez nada na primeira vez, não fará agora”. Entretanto, ao contrário do que parece, não exigiam nada. Mostravam consciência de quem sabia que, apesar da dor, nada havia para ninguém fazer. Cada homem podia escolher seu destino, e, aquele filho que ela preparava para enterrar em algumas horas, escolhera muito mal. Mas saber não diminui o sentir.
E, aqueles olhos marejados e opacos, passaram a me seguir.
A eles se juntaram outros tantos. Uns tão inchados que nada deles se podia ver. Uns interrogando “O que será de mim agora?”, outros acusando: “Porque você não faz nada, virão levar também meus outros filhos!”. Uns incrédulos, chamando pelo nome dos filhos mortos: “Davi, que te fizeram, Davi! Levanta menino, está sujando sua roupa toda nesse sangue! Davi!”. Raros, alguns esperam redenção e força frente à firmeza e segurança que eu, amador, enceno, e dizem: “Cuida dos meus outros meninos! Não deixa que façam isso aos nossos outros filhos!”. Como que se esperassem, na minha figura esguia, um Cristo, um salvador. Não são capazes de ver que, em verdade, o que têm a frente é mais Judas do que Cristo. Estes olhos ao contrário dos outros, machucam muito mais pois não trazem mais em si, reluzindo torpe e débil, aquela chama de esperança. Não sabem que o mundo é, antes de tudo, cinza, e que não há mão ou gesto salvador vindo dos céus (ou Deus, de mim mesmo!) capaz de lhes secar o pranto, de lhes dar o conforto que nunca lhes deveria ter sido tirado.
São eles todos. Os olhos, os sonhos arruinados das mulheres de Jerusalém. Aquelas todas que não ouviram, que ousaram, que geraram, amamentaram. E enterraram.

Eles todos me seguem. Sete vezes por semana, vinte e quatro horas de cada vez. Os olhos, as vozes, as lamúrias e os choros das abandonadas mães de Jerusalém.

“Mulheres de Jerusalém, não chorem por mim! Chorem por vocês mesmas e por seus filhos! Porque dias virão, em que se dirá: ‘Felizes das mulheres que nunca tiveram filhos, dos ventres que nunca deram à luz e dos seios que nunca amamentaram.’”
(Lc 23, 28-29)

O aborto

Posted in Individualismo, Reflexões, Vida moderna on 24 Agosto, 2008 by Lucas Ed.

[o post a seguir surgiu à partir de um comentário que fiz no Makaber Magie. É, portanto, um post de resposta, e recomenda-se que previamente seja lido o post original, aqui]


Bora elencar algumas razões contrárias ao aborto, na medida do possível, fora da moral judaico-cristã ocidental (admito a dificuldade: apesar de hoje ateu, fui católico quase a vida inteira).

1) É quase sempre desnecessário.
Para a grande, imensa maioria das situações em que se toma o aborto como possibilidade, há opções mais humanas. Desde pílula do dia seguinte (para relações sexuais não-consentidas) até os mais simples, como camisinhas e pílulas comuns, para situações com consentimento mútuo. Evidentemente, há situações em que só o interrompimento intencional da gravidez seria efetivo, como em casos de anencefalia e risco de morte da mãe. Para os casos de estupro também mas, como disse, (nesses casos) pode-se “contornar” o aborto.

2) Doze mulheres e uma sentença?
O post apresenta, no segundo motivo, que trata-se de uma questão de direito. Ainda que a afirmação fique contraditória ao lembrar que nossa Constituição e Código Penal criminalizam a prática, lança o seguinte argumento, com ganas de justificar-se: “existem dúvidas sobre os direitos do embrião/feto”. A máxima do Direito diz que in dubio pro reu, ou seja: a dúvida é insuficiente para a condenação. Se ela existe sobre os direitos do embrião/feto, então se considera que ele os tem, até que algum jurista postule em definitivo. É o velho dilema brilhantemente apresentado em “Doze homens e uma sentença”, a título de ilustração.

3) É uma questão econômica.
Uma cirurgia de aborto segura não é o procedimento mais barato do mundo. Os ricos se refestalam de uma liberação dessas, assumindo a sexualidade de maneira irresponsável e remediando-a através de seus bens. Aos pobres, que você aponta como uma das razões para a liberação, a estes restarão duas opções: o SUS e as técnicas “artesanais” (chá, preparados, drogas caseiras e modos violentos). O SUS não é rápido o suficiente para que a operação se enquadre no meu “motivo bônus” (veja abaixo) e as técnicas artesanais… Bem, acho que os resultados delas (sobretudo para a mulher) já falam por si, não?

4) É uma questão de bom senso histórico.
O direito sobre si própria da mulher (no que tange à vida sexual, por exemplo) foi garantido já em 1951, com o descobrimento da pílula anticoncepcional, e se encontra plenificado hoje em dia: pode-se obter o fármaco gratuitamente nos postos de saúde por mulheres carentes. O aborto (exceto em casos extremos, já citados) é mais um paliativo frente à irresponsabilidade que reina em nossos dias. É evidentemente mais difícil e trabalhoso planejar-se do que simplesmente pagar e extirpar o incômodo. Mas é realmente mais inteligente?

5) É uma questão de educação.
Porque a nossa educação é falha ao inserirem os jovens de maneira responsável na vida sexual, não se justifica aprovar uma lei (ou comportamento) tão polêmico e radical. Uma forma inteligente de abordar a situação é primeiro criar bases educacionais sólidas e depois se rediscutir o assunto. Acredito que numa sociedade consciente, o aborto pode ser legalizado, mas seria pouquíssimo utilizado. Provavelmente, só nas situações em que ele já é tolerado hoje em dia. Autorizar a prática hoje, com o (precaríssimo) nível de conscientização que as pessoas têm (sobretudo aquelas oriundas de classes menos favorecidas) seria autorizar uma carnificina. Um tiro no pé da própria saúde pública…

Motivo bônus) É uma questão de consciência [refere-se ao motivo 3 do post original]
“Retomando o raciocínio da bióloga geneticista Mayana Zatz” então o aborto só pode ser feito até o terceiro mês (12ª semana) de gravidez. Nós sabemos que isso não é verdade, nem é esse o desejo. Se a liberação do aborto passa pela liberdade total da mulher sobre “si”, então como ficaria essa restrição temporal? Limitante?

No fim, admito que muito da discussão acerca do aborto que se vê por aí é mesmo permeado pela mentalidade judaico-cristã. Não que isso seja intrisecamente ruim: na falta de uma moral laica popularizada, a versão religiosa em voga tem nos servido bem em quase todos os casos.
Mas, fazendo um exercício de imaginação: aqueles que defendem o aborto, pensam em situações que ele não seria permitido ou bastaria a vontade da mulher de fazê-lo e pronto?
Dizendo claramente onde quero chegar: uma mulher faz um ultra-som e vê que está grávida de um menino, mas quer ter uma filha. O aborto é uma opção? Ou ainda: a mulher embarca numa relação extra-conjugal e engravida. O aborto é opção válida para se fugir das conseqüências da traição? Isso acontece hoje em dia, na clandestinidade? Não duvido. Mas essa constatação (de que acontece mesmo) é o suficiente para ganhar o aval da sociedade?
Outra questão, qual seria a relevância da opinião do pai da criança sobre a decisão? É evidente que o maior fardo da gravidez cabe à mulher, que carrega e nutre o feto por nove meses. Mas ainda somos uma espécie que se reproduz sexualmente: um embrião/feto tem 23 cromossomos de cada um dos pais. Exatamente o mesmo de um e de outro. Como se soluciona a questão?

[Eu fui] Roberta Sá no Freegells

Posted in Eu fui, Música, Resenha, Roberta Sá on 24 Agosto, 2008 by Lucas Ed.
Quem me conhece sabe: eu nem sou de ir a shows de pessoas famosas. Pode-se contar nos dedos os artistas que me tiraram de casa para ver suas performances: Luciana Mello, Engenheiros do Hawai, Cordel do Fogo Encantado, Nando Reis, Fernanda Takai… e a lista, restrita, ganhou uma estrela nova: Roberta Sá. Me falta voz, os olhos e as narinas ardem da fumaça dos cigarros, as mãos tremem. Mas eu estou incontestavelmente em êxtase!Os frequentadores deste blog hão de se lembrar quando a descobri (e caso não se lembrem, basta clicar aqui). Todas as impressões que tive ao ouvir o som de Roberta Sá pela primeira vez se confirmam pós vê-la ao vivo. A doçura da voz, a delícia do swing, a sensualidade e o carisma, tudo é elevado à enésima potência: Roberta Sá é, em definitivo, o fino da bossa! O show foi inspiradíssimo, com um Freegells Music Hall lotado (mas muito bem organizado) e com todo mundo cantando e sambando junto. Destaque para a Srª Porco, cujos passos no samba dividiram com força minha atenção junto ao palco!Voltando ao show, Roberta Sá foi precedida, como se vê no ingresso acima, por uma desconhecida (mas interessante) Electrosamba e um invisível DJ Fausto (é sério. Não faço idéia de quando esse sujeito tocou!). Entre o fim do show da Electrosamba (que levantou a moçada) e o início da atração principal, rolou um estresse decorrente da demora, e as vaias foram o manifesto (grosseiro, concordo) da platéia entediada. Sequer a voz da própria Roberta, vinda do camarim, foi suficiente para aplacar a platéia enfurecida: era preciso corpo, alma e coração sobre o palco para domar as feras. E ela o fez. Foi incrível! Todo mundo sabendo as músicas. Quem não sabia, dançou assim mesmo pra não perder o embalo.
Enebriado pela beleza do espetáculo (a palavra foi escolhida a dedo), quis muito agradecer à Roberta Sá e sua incrível banda e, para tanto estabeleci um plano: de flyer da Blitz em punho, saquei de fazer um aviãozinho (sacou? Flyer, aviãozinho…) e enviar meu “muito obrigado” até a cantora. Malogro, o vôo foi imperfeito e a aeronave foi avariada antes de atingir o destino. Até que um a firmeza incomum de apossou de mim e do Sérgio: antes do começo do show tínhamos conseguido determinar a rota de trânsito que a cantora e sua banda fizeram até o camarim. Confiantes de que eles teriam de repetir o trajeto para saírem dele, nos movemos para lá com o intuito firme de pará-la à meia caminhada e pedir fotos. Foi o que fizemos.
O resultado segue abaixo, mas com um adendo: não esperamos do lado de fora do camarim. Entramos, eu tremi e gaguejei, mas agradeci. A coroa perfeita para um show digno da realeza.

Para ser a glória plena, só faltou ela escrever “Lucas Ed”…

Conhecendo a autora daquilo tudo!
Ah, caso você esteja se perguntando sobre a nota do show, meu filho só pode ser uma:
É cinco, parceiro, porque é o máximo que há!


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Revendo a lista dos shows famosos que fui, fica evidente como o tempo passa: dos seis, somente três me tirariam de casa novamente. Luciana Mello, Cordel e Roberta Sá. E com gosto!
Para mais Roberta Sá no Freegells, clique aqui.

[Eu li] Turma da Mônica Jovem (números 00 e 01)

Posted in Eu li, HQ, Quadrinhos, Resenha, mudanças on 21 Agosto, 2008 by Lucas Ed.

Não faz muito tempo, nem coisa de muitos meses, eu li no Judão uma matéria, para dizer o mínimo, curiosa: a de que Maurício de Sousa, ele mesmo, o grande quadrinhista brasileiro, iria lançar uma proposta inusitada: pegaria seus principais personagens, as crianças da Turma da Mônica e as transformaria em adolescentes. Mais do que isso, transformá-las-ia em adolescentes e contaria suas histórias em estilo mangá.

Em mim, como em muitos outros leitores, a proposta despertou três sentimentos diferentes, ainda que relacionados: surpresa, medo e muito receio. Oras, a turminha funciona tão bem como crianças em idade pré-escolar há tanto tempo! Para quê amadurecê-las agora, sem mais nem porque, e ainda por cima “niponizando” o estilo tão brasileiro do Maurício?

Bem, vamos por partes: apesar de brasileiro, o traço tradicional do Maurício sempre teve muitas influências do mangá. E muito disso se dá pelo fato de que Maurício e Osamu Tezuka, que é considerado um dos maiores mangakás (escritor/desenhista de mangá) foram grandes amigos. O que está se passando agora deixa de ser influência (que é o que era antes) para virar adesão: não é mais o mangá sendo antropofagizado pelo estilo Maurício de Sousa, mas o contrário. O estilo gráfico agora é um mangá com pitadas de MSP (Maurício de Sousa Produções, chefia!). E isso nos leva a uma pergunta muito importante, e que aparentemente nem o Tio Maurício nem os artistas do MSP se dedicaram a responder: o que faz um mangá? Ou melhor: o que uma história em quadrinhos precisa ter para ser considerada um mangá genuíno? Alguns mais radicais hão de responder que, para ser um mangá, uma HQ precisa ser feita no Japão, por um japonês e, de preferência, escrita em ideogramas. Outros, muito mais permissivos, apontam que basta que os personagens tenham cabelos malucos, olhos grandes e boca pequena, além de uma ou outra “licença gráfica”, como os momentos super deformeds e congêneres. Na introdução da revista “Como desenvolver roteiro para mangá”, da editora Canaã, Alexandre Nagado diz o seguinte:


As pessoas costumam associar o mangá (quadrinho japonês) a figuras de olhos grandes, cabelos espetados e coloridos, robôs, samurais e monstros. Tudo isso realmente faz parte do universo do mangá, mas não é o que melhor traduz o que é o mangá. O que mencionei agora tem a ver com uma escola de artes visuais, inserida no gosto médio da maior parte do povo que consome e faz mangá. São estereótipos visuais, padrões estéticos, nada mais que isso. Mas o que muita gente deixa escapar ao folhear um mangá é uma coisa sutil, que foi arduamente pesquisada pelo pioneiro do moderno mangá Osamu Tezuka e aperfeiçoada ao longo dos anos por talentosos artistas.

Trata-se da narrativa, aquilo que liga um quadrinho ao outro e dá ao leitor o entendimento da história no ritmo e no tempo pretendido pelo autor.¹

Sei que a citação é bastante longa, mas a fiz porque, se não fosse pelo intervalo temporal (a revista do Nagado não traz informações acerca do ano de publicação, mas eu a tenho já há um bom tempo, coisa de quatro anos pelo menos) eu diria que o que Alexandre faz é escrever uma crítica direta ao produto que o MSP colocou nas bancas. Sobretudo no que tange à edição #01 de Turma da Mônica Jovem: olhos grandes, cabelos espetados, robôs, samurais e monstros. Sim! Tem tudo isso no gibi da Mônica e o resultado passa longe de ser bom. Isto dito, passo agora à resenha propriamente dita.

Se da arte eu já comentei, cabe citar o roteiro de Turma da Mônica Jovem #01. Em uma palavra? Péssimo. Além de ser pueril demais a uma revista que se pretende voltada aos adolescentes, ele é mal escrito mesmo. Primeiro, passa a impressão de que a turminha cresceu… de um dia para o outro! Ok, isso aconteceu para nós, leitores, mas dentro do universo ficcional da Turma, presumo que as coisas de deram de maneira normal, um ano após o outro. Daí, a contextualização que o roteiro se esforça em fazer do que mudou é forçadíssima e incômoda. Melhor solução (ainda que não plenamente satisfatória) foi tomada no #00, em que tomamos ciência das “mudanças” através do diário da Mônica. Na edição 01, os personagens falam o tempo inteiro das mudanças, em situações antinaturais como se só agora se tivessem percebido mais velhos. Afora isso, o roteiro é todo cheio de situações que se dão sem mais nem porque, truncadas, informações que surgem de repente sabe-se lá de onde. Some a isto o plot simplesmente estapafúrdio e clichezístico (o quê? Rainha bruxa malvada, robôs, monstros e SAMURAIS? Hum… lembra do que o Nagado dizia?) e ao equívoco da mudança de vários nomes (falo mais disso adiante) para que Turma da Mônica Jovem #01 seja leitura difícil de ser concluída de tão ruim que é, diferente das revistas de linha da turminha.

Como citei anteriormente, a questão dos nomes é equivocada. E olha que eu nem falo dos cavos mais bizarros e desnecessários, como o Anjinho (agora chamado de “Céuboy”. Pode? Tá, já li por aí que trata-se de uma referência à “Hellboy” – nem sabia que era mangá – mas não deixa de ser ruim por isso) e do Capitão Feio (“Poeira Negra”? Ah, fala sério!). Falo do Cebolinha (agora só “Cebola”) e do Franjinha (que também perdeu o diminutivo). Para quê mudar os nomes se os personagens são chamados apenas de “Cê” e “Fran”, respectivamente? E as eles se seguem “Mô” para a dentucinha. É de dar nos ovos!

Conclusão: faltou muito gás nessa fanta. Uma idéia que, no fim, no frigir dos ovos poderia dar um caldo, virou um lixo completo nas rendas do roteiro mais incompetente que eu já li na vida. Mais abarrotado de clichês que eu já vi e, na mesma medida, mais desnecessário que posso imaginar. O que acaba dando um pouco da tônica de como eu vejo essa iniciativa: totalmente desnecessária. Penso que faltou ao velho Maurício um pouco mais de carinho e menos desejo de lucro com suas crias. Se era para tocar um idéia nova, revolucionária, deveria ele mesmo ter segurado as rédeas da coisa e, como conhecedor de mangá que é, nos brindado com algo novo, um mangá genuinamente brasileiro, com temas verde-amarelo e personagens idem: como sempre foram as histórias de Mônica, Cebolinha e cia. Do contrário, escolheu deixar na mão de mais um roteirista fantasma do MSP e deu no que deu. Se não tivesse custado R$ 5,90, tinha ido para o incinerador.

E sabe o que é pior de tudo? A edição #00 é até agradável e poderia instigar o leitor (eu incluso), mas foi lida depois da edição #01, destruidora irreparável de qualquer ilusão de qualidade.

Pra não dizer que eu não falei de nenhum ponto bom da revista, cito a participação do Prof. Licurgo, que até faz rir. E só. Pouco, né?

Conclusão: faltou ao pessoal do MSP fazer o dever de casa. Mangá, meus caros, é mais que olhinhos grandes, boquinha pequena, cabelos estranhos, corpinhos esbeltos, papel jornal, arte em P&B, robôs, rainhas bruxas, nomes irados e samurais no bairro do Limoeiro. Mangá é um modo de se contar uma história, e “A Turma da Mônica Jovem #01” não é mangá. É uma ofensa ao gênero, ao quadrinho brasileiro e ao passado dessa Turminha que encanta gerações há quase quatro décadas. É uma vergonha.

Por fim, só o momento picuinha: o Anjinho cresceu. Como? Não sei. Turma da Mônica sempre teve o pezinho bem colocado na mitologia católica (sim! O Chico tem o Padre Lino, e se confessa. Nas HQ’s do Anjinho, muitos santos já deram as caras, como São Pedro) e agora o Maurício me apresenta um anjo que cresceu, envelheceu? Argh! Pô, pessoal, anjo não muda! Nasceram junto da criação e envelhecem como as crianças humanas? Ok… deixa quieto.

Nota: Turma da Mônica Jovem nº 00 (vem como brinde na Revista Tina Especial nº01)

Nota: Turma da Mônica Jovem nº01 (Ed. Panini, R$ 5,90 – preço promocional)


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¹ NAGADO, Alexandre. Como desenvolver roteiro para mangá: narrativa, dinâmica, personagens. In______ Curso Básico de Desenho 13. Osasco: Canaã.

Remember the King!

Posted in Elvis, Música on 16 Agosto, 2008 by Lucas Ed.
Há exatos 31 anos atrás, o mundo perdia o Rei do Rock, o grande Elvis Presley. O cabra representa tanto para música e para tudo, para o american way of life e coisa e tal que até hoje apregoam que ele continua vivo.

E é verdade, só besta discorda que Elvis permanece vivo. Não só nas músicas sensacionais e filmes nem tanto, mas no imaginário popular mesmo. Em Las Vegas, em filmes como “Um estranho chamado Elvis” e “Lilo & Stitch“, Elvis é eterno.

Para fechar, coloco o clipe do remix de “Little Less Conversation” primeira música do Rei que ouvi (em remix mesmo) e gostei. A primeira mesmo, a pioneira, foi “Love me tender”, canção esta que eu continuo odiando.

Remember the King!

The doctor is…?

Posted in Faculdade, The doctor is... on 16 Agosto, 2008 by Lucas Ed.
Pois eis que chegou o momento mais esperado de minha graduação: os estágios clínicos.
Veja bem, desde o dia em que me decidi por psicologia, lá nos idos da oitava série do primeiro grau, eu queria trabalhar na clínica. Ouvir os problemas das pessoas, os desejos, os anseios e ajudá-las a resolverem essas questões me virava a cabeça.
Então… Por que eu estou tão abalado por isso?

Simplesmente porque, frente a frente com os clientes é que se vê que nem tudo é tão claro. Os casos não são facilmente tipificáveis como são nas mãos de um advogado ou delegado. E quando são “tipificáveis” (hum… problemas de aprendizagem, por exemplo) solucioná-los é quase impossível!
Some a tudo isso meus problemas pesadelísticos com grana e você vai me encontrar chorando a toa. E entrando na faculdade às 08h e saindo às 18h, quase que como numa forma não declarada de adiar o momento de segurar o touro na unha e dizer: “eu sou o psicólogo”!

The doctor is in?
Porque eu tô precisando de terapia!

[Gente melhor que a gente] Kim Kardashian

Posted in Gente melhor que a gente, curiosidades on 16 Agosto, 2008 by Lucas Ed.

Quando o velho barbudinho com triângulo na cabeça criou o mundo em seis dias, deixou algumas regras implícitas e que a humanidade só tomaria conhecimento delas muito tempo depois, quando a hora certa chegasse.

Revelada já há uns mais de vinte anos, uma dessas regras diz que as mulheres do hemisfério norte do planeta teriam mais carne na porção norte do corpo, e que com as do sul se daria o contrário. Ou seja: as norte-americanas e européias teriam peitos grandes, e as brasileiras e africanas teriam a bunda grande (as asiáticas não teriam coisíssima nenhuma, só os olhos puxados. Belo prêmio de consolação…).
Mas esta regra, talvez por obra do demo, do cramunhão, vez ou outra é quebrada. E quebrada de com força. É o caso de Kim Kardashian.
Kim é americana, tem 27 anos e é amiguinha da Paris Hilton, aquela tabuinha vertical de passar roupa. Assim como a herdeira dos hotéis Hilton, Kim nunca fez nada, nasceu rica e despontou para os “olhofotes” do mundo ao protagonizar uma sexytape com um rapper. Hoje pega uns bicos como atriz e tem um reality show próprio com a família. Como se pode ver, a moça alia uma dose substanciosa de beleza exótica com peitos e bunda consideráveis. Muito consideráveis.

Outra regra criada pelo barbudo do triângulo foi que cada país teria a celebridade-fútil que merecesse. Assim, os EEUU contam com Hilton, Kim e as mulheres do Hugh Hefner (o dono da Playboy, criatura). A Itália divide com a França a inutilmente bela Carla Bruni. E nós engolimos bundas novas todos os anos, com algumas Marimoons no meio. Bem, com Kim Kardashian os EUA tão ganhando a corrida da melhor celebridade-fútil: se elas só servem para olhar, eu prefiro olhar a KK do que nossa MM (e olha que estão ambas sem maquiagem, photoshop ou congêneres!)…

Adendo: Quer mais Kardashian? Segura aí o link direto para o hotsite do “Gostosa Uptade” do Judão exclusiva da Kim.

[Insólito é acordar] Hebe Camargo

Posted in Insólito é acordar on 5 Agosto, 2008 by Lucas Ed.
Nem preciso dizer que foi um sonho bizarro, né? A prerrogativa desta sessão do blog é que sejam.
Mas este nem é tanto. Eu estava assistindo televisão(!) e a Globo anunciou um novo programa. O anúncio dizia algo como: “você vai reconhecer a sua gargalhada”, ou coisa que o valha. Aí soava a gargalhada dela. A múmia viva. Aquela que quando ri mexe o pézinho de tanto que a pele foi repuxada. HEBE CAMARGO. Esse demônio em forma de mulher era mostrada então, sentada no meio da platéia, com os cabelos tingidos de preto. E ela gargalhava. E a Globo anunciava o horário do novo show de horror de sua programação: segundas-feiras à noite. Eu pensei: “Poutz, agora chutaram mesmo as bolas do Silvio! Só faltam contratar o Lombardi agora!”

He he he. Que sonho interessante, né?
Pois é. Insólito é acordar e postar isso…

É para rir ou pra chorar? O medo

Posted in Bem vindo ao mundo do bizarro Alex, Insólito é acordar on 1 Agosto, 2008 by Lucas Ed.

Hoje, como se pode ver, refiz a lista de favoritos deste blog, que há muito pedia atualização. Está mais limpa e mais ordenada, com algum esboço do que podemos chamar de categorias.

Acrescentei links, limei links e atualizei links. Um dos que foi atualizado, o antigo “Comentário Solitário (1)” agora atende pelo nome de “FreakShowBusiness”.
Visitando-o, coisa que não fazia há tempos, me deparei com um vídeo bizarro que pensei em postar aqui. Trata-se do clipe de Carolina Miranda e MC Lipe, e a canção chama-se “Meu selinho”. Não, ela não está falando da modalidade de beijo de mesmo nome. Tá falando do “selolá”. Caso você não saiba quem é a moça, não se recrimine: se tiver estômago para ouvir toda a “música” ouvirá uma constante referência à uma certa “tia” (A bunda falante diz: “Minha tia não vai gostar!“). Mes amis, essa “tia” é a Gretchen. O lombo ambulante é sobrinha da mulher do piri-piri-piri. Eu ia postar esse video, de embed e tudo, pra você clicar e constatar a que pontos chegamos.
Mas então, algumas páginas do “FreakShow” mais adiante, me deparei com este outro vídeo. Um tanto maior, temos uma entrevista da Sacerdotisa do Grande INRI Cristo Amaí, aquela que “introduziu o computador no reino dos céus” (sic!!). A coisa aqui é tensa. Toda a entrevista é de um amadorismo e geratividade de vergonha alheia sem precedentes. A apresentadora (Alarissa é o nome da galega) é de uma espontâneidade deliciosa. Por isso peço a vocês que tenham fé, perseverança e nenhum pingo de amor próprio para agüentarem o vídeo até a altura em que Amaí nos explica, faceira, porque recebeu do mestre o apelido de Barata Tonta. Surreal é pouco.

Ah, como tudo o que é bom pede bis, segue aqui o link de mais um vídeo do Culo Hablante, Carolina Miranda, discutindo com outra Bunda Cenciente (a Garota Melancia, ex-Mulher Melancia) quem é a Rainha do Bumbum por direito! (é, meu caro: Insólito é acordar!)
E pra não dizer que favoreci apenas um dos candidatos a bizarro-mor deste post, aqui um link do INRI Cristo no Pânico (o programa de rádio) debatendo, à certa altura, as pregações de Toninho do Diabo!