Arquivo para Junho, 2008

Saudade da minha Tia Nastácia

Postado em Saudade, Tristeza em 26 Junho, 2008 por Lucas Ed.

“Quando penso em você/fecho os olhos de saudade
tenho tido muita coisa/menos a felicidade”
Minha mãe hoje deu de fazer biscoito frito. Pelo menos uma vez por mês, essa iguaria mineira acaba pintando no lanche da noite. Hoje, não sei porque² cargas d’água, enquanto lanchava e ouvia Gilberto Gil, me lembrei de minha falecida avó, D. Celita.
E me deu uma vontade grande de chorar, uma saudade doída que volta agora e me obriga a respirar fundo antes de concluir cada linha.
Eu fico triste que muita gente que eu conheço hoje, muita gente de quem gosto muito, a Raquel por exemplo, nunca conheceram minha avó. E em certa medida, minha avó nunca me conheceu. Esse Lucas Ed. de hoje, policial civil, quase psicólogo, que tomou tantas decisões erradas na vida e acertou em tantas outras, a minha avó não conheceu.
Acho que o que sobra dos mortos, essa saudade infinita, esse aperto no peito onze anos depois como se fosse ontem, é a mais pura manifestação da saudade mesmo: aquela falta, que só é falta porque a pessoa vive dentro da gente, estando morta do lado de fora. E daí não importa. A memória faz do mortal imortal.
Pesa sobre a lembrança de minha avó o pulso firme de matriarca, o cheiro de pé-de-moleque feito na pedra da pia da cozinha, o parque e a brasília todo domingo, o Mineirão, os jogos do Cruzeiro, a roupa de Tia Nastácia em festa de folclore. Pesa a margarina e as maçãs congeladas no freezer para durarem mais, pesa o carinho, pesa o respeito. Pesa a cor. Tudo batido no liquidificador ganha cores de saudade.
Algum tempo depois que minha avó morreu, meu avô cortou as árvores frutíferas do quintal da casa. Eu fiquei triste, bravo, mas agora entendo o gesto: aquelas árvores todas, aquelas mangueiras que tantas vezes eu subi nos galhos junto com D. Celita eram como que fotos dela, imagens ao alcance dos olhos, indicativos perpétuos, enormes, verdejantes daquela ausência que doía (e dói) em todo mundo, nele também. Por mais que o Seu Raymundo seja forte, ativo e aparentemente descomprometido de tudo, é ele quem mais precisa falar dela, dizer como ela estaria hoje, com os netos grandes, bisneto chegando, internet, celular. Talvez eu tivesse mandado cortar também as árvores, vender a brasília, proibir a entrada de pé-de-moleque na casa. Cortaria as coisas que o Rubem Alves chama “sacramentos”: sinais visíveis de algo (ou alguém) invisível. Quem quer ser sempre lembrado de que está incompleto? De que lhe falta algo vital, insubstituível?
Me falta. Vê? A saudade é narcísica: me falta. A ela, a Dona Maria da Luz Barbosa, dita Celita, não falta nada. E eu não digo no sentido de que ela está “vivendo” num paraíso celeste: a própria nulidade da morte é plena, não tem fome, não tem neto sendo assaltado, filho trabalhando em cidade distante, casa arrombada por ladrões.

Ah, mas “saudade” é palavra triste. E pra fechar, que eu já cansei de chorar, parar, repirar, escrever mais um pouco e chorar de novo, encerro com Luiz Gonzaga³:

Se a gente lembra só por lembrar
O amor que a gente um dia perdeu
Saudade inté que assim é bom
Pro cabra se convencer que é feliz sem saber
Pois não sofreu
Porém se a gente vive a sonhar
Com alguém que se deseja rever
Saudade, entonce aí é ruim
Eu tiro isso por mim, que vivo doido a sofrer
Ai quem me dera voltar pros braços do meu xodó
Saudade assim faz roer e amarga qui nem jiló
Mas ninguém pode dizer que me viu triste a chorar
Saudade, o meu remédio é cantar (2x)

_____________________________________________

¹A foto do post: para minha tristeza, acho que não existe foto minha com minha avó, ao menos não aqui em casa – e olha que eu já revirei. Daí, coloco a foto da atriz Jacyra Sampaio como Tia Nastácia do seriado do Sítio do Pica-Pau Amarelo de 1977, pois numa festa do folclore que rolou aqui na paróquia uma vez, minha avó se vestiu como a personagem, e ficou idêntica.
² Hoje, não sei porque
…” mentira. Minha avó sempre fez muito biscoito frito.
³ A música é um clássico, chama-se “Qui nem jiló” e ficou famosa na voz de Elba Ramalho. É uma composição de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

[Estou Ouvindo] Richard Cheese and Lounge Against the Machine

Postado em Estou ouvindo, Música em 24 Junho, 2008 por Lucas Ed.
No meu último post citei a descoberta, no último fim de semana (graças ao Gustavo Fodas, meu cunhado) de Richard Cheese e seus covers bem humoradíssimos. Foi apenas uma rápida escutada em “clássicos” pop como “Hey Ya”, “Sunday blood Sunday” e “Welcome to the jungle” em um inusitado (e diferenciado) ritmo de jazz pra querer saber mais do trabalho do cabra. Conclusão? Já consta, todinha em meus arquivos sua discografia: e vale a pena, digo sem receio.

Cinco coisas no tempo

Postado em Bem vindo ao mundo do bizarro Alex, Meu samba é uma corrente em 22 Junho, 2008 por Lucas Ed.


Achei esse lance por aí, é um meme (?). Resolvi fazer porque, exceto meus trabalhos de Psicopatologia da infância e Psicologia Escolar, ou os textos pedidos em História da Psicanálise da Criança, eu não tenho nada melhor pra fazer.
Segue aí:

HÁ 10 ANOS:
1. eu estava na oitava série;
2. começando a ler filosofia com “O mundo de Sofia”;
3. Era chefe de turma;
4. Venci fodásticamente um Júri simulado de História, defendendo Getúlio Vargas;
5. arrumei minha primeira namorada (e perdi também).

HÁ 5 ANOS:
1. Tava ensaiando pra tentar vestibular pela segunda vez;
2. Já namorava com a Raquel;
3. Ainda jogava RPG;
4. Trabalhava como secretário paroquial;
5. Li muitas, muitas coisas fodas que ajudaram a definir meu modo de pensar até hoje.

HÁ 2 ANOS:
1. Estava no segundo ano de faculdade;
2. a turma de pessoas mais fodas (Douglas, Kaká, Ana, Laís e cia) entrou pra faculdade;
3. Eu e a Raquel fizemos quatro anos de namoro;
4. Já trabalhava na Divisão de Crimes Contra a Vida;
5. Estava concorrendo à coordenação do Centro Acadêmico de Psicologia.

HÁ 1 ANO:
1. Estava coordenando o Centro Acadêmico;
2. Me tornei editor-associado do periódico “Mosaico: estudos em Psicologia“;
3. Me assustava com a idéia de casar;
4. entrei pra comissão de formatura;
5. percebi que meu cabelo estava começando a cair e muito.

ONTEM:
1. Fui à festa junina da paróquia perto de casa e me senti muito deslocado;
2. Tive uma briga imbecil com a Raquel;
3. me desesperei com a conta do cartão de crédito;
4. conheci o som de Richard Cheese and Lounge Against the Machine;
5. Lavei bonés e all-stars.

HOJE:
1. acordei às 07h pra ir trabalhar;
2. Abasteci e lavei o pára-brisa do Madruguinha;
3. percebi que fui enganado na última edição de Superman que comprei;
4. saí de casa ao som de Rockixe, do Raul, o que me animou um pouco;
5. Tive arrepios ao passar perto do caixa eletônico.

AMANHÃ EU VOU:
1. Me submeter a uma entrevista para estágio curricular;
2. almoçar muito tarde;
3. entregar o trabalho de Psicopatologia da Infância (que eu vou fazer, juro);
4. dar parabéns atrasado à Laís;
5. começar a organização dos meus quadrinhos.

CINCO COISAS DAS QUAIS NÃO POSSO VIVER SEM:
1. Internet
2. Música
3. Algo divertido para ler
4. Raquel
5. papel e lápis/caneta

CINCO COISAS QUE EU COMPRARIA COM R$1.000 (mil reais para cada coisa?):
1. amortecedores dianteiros novos pro Madruguinha;
2. zeraria os cartões de crédito;
3. bancos, cintos de segurança e volante novo pro Madruguinha;
4. Boxes de 25th dos Comandos em Ação;
5. uma câmera fotográfica decente.

CINCO MAUS HÁBITOS:
1. preguiça;
2. procrastinação;
3. o caráter obsessivo-moderado;
4. gastar muito dinheiro descontroladamente;
5. Tratar muito bem quem eu não gosto.

CINCO PROGRAMAS DE TV:
1. Spectacular Spider-man
2. Californication
3. Heroes
4. Miami Ink
5. Dr 91210

CINCO COISAS QUE ME ASSUSTAM:
1. Falta de dinheiro;
2. Incêndios e fumaça;
3. Paus e bizius no carro;
4. Gambezinhos da BHTrans;
5. Professores fodões.

CINCO LUGARES ONDE QUERO IR DE FÉRIAS:
1. América do Sul;
2. Portugal;
3. Alemanha;
4. Canadá;
5. O sul do Brasil.

[Suíno Collection] Raul Seixas

Postado em Música, Raul, Suíno Collection em 21 Junho, 2008 por Lucas Ed.

Uma série de postagens que eu estava há tempos querendo começar aqui no blog era a “Suíno Collection”.

O hábito de coletâneas surgiu em mim com mais força há uns anos, quando ganhei de minha falecida avó um gravador duplo deck. Ele só tinha rádio e toca-fitas, ainda que na época já eram populares os sons com CD-Player (e vitrola!). Mas esses mais mudernos (os desejados 4 em 1 – LP, toca-fitas, rádio AM/FM, CD player) eram caros pra burro, de modo que o que bombava mesmo eram as fitinhas K7. Daí que com um gravador duplo deck eu podia: 1) copiar as fitinhas dos outros; 2) ouvir as fitinhas que eu fazia na casa do meu pai, que além de ter um som fuderoso (ainda é até hoje) ainda tinha uma coleção considerável de CD’s, dos mais variados gêneros (de Fagner a Kiss, de Queen a Sambas-enredo do Carnaval carioca). Aí, pegando por exemplo uns quatro CD’s do Michael Jackson na casa do velho, eu montava uma ou duas fitinhas com as músicas que eu mais gostava; e, por fim 3) eu podia trocar fitas de coletâneas com os outros. Meu velho e bom amigo Gustavo era cliente preferencial! Aprendi a ouvir muita coisa boa com as K7 que ele me gravava. Eram os primórdios das minhas coletâneas!
Com o advento do barateamento dos CD players, bem como o boom do CD pirata, e seguido a estes, da popularização do MP3, as coletâneas tiveram um período considerável de recesso. Pra quê gravar uma fita (ou CD, já começava a ficar acessível) se eu podia simplesmente ter todos os CD’s a preços módicos ou fazer uma playlist bacana no Winamp? A prática só teve uma nova sobrevida quando comecei a trabalhar e comprei meu primeiro walkman: dá-lhe fitas K7!
Daí vieram os MP3 players e as coletâneas imutáveis ganharam o limbo de vez.
E elas teriam ficado por lá, na memória (e nas etiquetas das fitas gravadas) se não fosse a chegada do Madruguinha. Para ele ganhei, de um colega de trabalho, um ótimo som automotivo da Pioneer, mas com um porém: apenas rádio FM e CD, sem sequer entrada auxiliar para MP3 Player. Daí foi a hora de invocar de novo o velho hábito: com o acervo considerável de CD’s que eu agora tenho, e a praticidade de se baixar um álbum ou mesmo a discografia inteira de um artista, as coletâneas tinham de voltar!
E voltaram, mais fortes do que nunca! Do fim do ano pra cá, já gravei um bom número de “Suíno Collection’s”, umas boas, outras nem tanto. Mas a verdade é que sempre quis compartilhar essas experiências que resultaram frutíferas, mas nunca que eu lembrava de anotar o nome das músicas antes de gravar, e ficava com preguiça de escrever depois. Mas hoje fiz uma nova coletânea, e me lembrei de tomar nota. Daí, a idéia é compartilhar com vocês essa minha seleção, indicando os álbuns de origem de cada música, para quem quiser se aventurar a replicar o experimento ou vivenciá-lo por conta própria.
Assim, para estrear esta nova sessão, vamos com o Bruxo do Rock brasileiro, Raul “Rock” Seixas!!

Suíno Collection: Raul Seixas


1) Abre-te sésamo
2) Sapato 36
3) Conserve seu medo
4) Negócio é
5) A ilha da fantasia
6) Dá-lhe que dá
7) Movido a álcool
8) Dr. Pacheco
9) Rockixe
10) Super heróis
11) Cachorro urubu
12) A verdade sobre a nostalgia
13) Loteria da Babilônia
14) Eu sou egoísta
15) S.O.S.
16) Para Nóia
17) Soul Tabaroa (por Miriam Batucada)
18) O dia da saudade
19) Eu sou eu, Nicuri é o diabo
20) Eu vou botar pra ferver
21) De cabeça para baixo
22) Eu acho graça (por Sérgio Sampaio)
23) Meu piano
24) Babilina
25) Só pra variar
26) Pastor João e aIgreja Invisível (com Marcelo Nova)
27) Quando acabar o maluco sou eu
28) Canto para minha morte

A idéia por detrás desta longa coletânea (28 músicas! A maior até agora que fiz – do Paralamas do Sucesso – tinha ficado com apenas 24) era limar, tanto quanto fosse possível, as farofas. Por “farofas”, entendo aquelas canções mais batidas do artista, como “Rock das Aranhas” ou “Maluco Beleza”, por exemplo. Essa inclusive é a tônica da maioria das minhas coletâneas, pois entendo que essas músicas mais populares acabam cansando mais facilmente. Seguindo a esta idéia, sempre procuro colocar canções que eu gosto bastante, e ir montando com elas uma espécie de “todo”: quase sempre a ordem das músicas é escolhida de modo a gerar um “começo-meio-fim”. Daí começar com “Abre-te sésamo” e terminar com “Quando acabar o maluco sou eu” e “Canto para minha morte”.
Sobre os discos: as canções 1 e 25 são do disco “Abre-te sésamo“; 2 e 21 são de “O dia em que a Terra parou“; 3 e 4 são de “Mata Virgem“; 5, 6 e 7 são do álbum “Por quem os sinos dobram“; 8, 17, 20 e 22 são do álbum “A sociedade da Gão-ordem Kavernista apresenta – Sessão das Dez“, meu disco favorito; 9 e 11 são do disco “Krig-Ha badaloo“; 10, 13 e 15 são do disco “Gitã“; 12, 15 e 16 são do “Novo Aeon“; 19 e 28 são do “Há dez mil anos atrás“; 19 e 24 são do “O Carimbador Maluco“; a música 23 (uma de minhas prediletas) é do “Metrô linha 743“; as canções 26 e 27 eu não sei de que álbum são, pois tenho-as avulsas no computador.

Curiosidade
: De todas as canções selecionadas, somente a número 17, “Soul Tabaroa” (interpretada por Miriam Batuque) não é sequer de composição do Raulzito, sendo obra de Antônio Carlos e Jocafi. Mas é uma jóia tão preciosa que entrou na coletânea, afinal, a gravação foi produzida pelo Maluco Beleza…

Ufa! Espero que gostem, porque eu tenho curtido!

São Gonzaga Vivo!

Postado em Música, Reflexões, Tristeza em 16 Junho, 2008 por Lucas Ed.
Quero ser lembrado como o sanfoneiro que amou e cantou muito o seu povo, o sertão, as aves, os animais, os cangaceiros, os retirantes, os valentes, os covardes, o amor
Luiz Gonzaga

Há algum tempo, a Raquel comprou um CD do Gilberto Gil chamado “São João Vivo!” Tive a oportunidade de ouví-lo ali mesmo, recém saído do plástico e ainda pouco rodado. Puta disquinho apaixonante. Tem um ritmo gostoso, ágil, faceiro. Evidentemente que copiei-o para mim e desde então não saiu mais de dentro do Madruguinha.

Mas o negócio aqui nem é o disco do Gil, mas o que ele contém. Já desde antes, numa pesquisa infrutífera na net (queria uma música do Vinícius de Moraes e ganhei no lugar uma de Luiz Gonzaga) que os temas desse pernambucano me interessavam. Veja bem, o Gonzaguinha eu conhecia desde pirralho e, como já demonstrei aqui, gosto bastante, das letras e da voz. Mas do Gonzagão eu só conhecia a mais que famosa “Asa Branca” e a não menos notável “Xote das Meninas”. Até que aconteceu esse download errado (já é a segunda vez que lucro num download por engano. Da outra vez, uma lindíssima música do Jorge Drexler veio parar no PC por engano). A música em questão foi “Pau de Arara”, uma composição de Luiz Gonzaga e Guio de Moraes:

Quando eu vim do sertão,
seu môço, do meu Bodocó
A malota era um saco
e o cadeado era um nó
Só trazia a coragem e a cara
Viajando num pau-de-arara
Eu penei, mas aqui cheguei (bis)
Trouxe um triângulo, no matolão
Trouxe um gonguê, no matolão
Trouxe um zabumba dentro do matolão
Xote, maracatu e baião
Tudo isso eu trouxe no meu matolão

A letra, confesso fácil, mexeu bem comigo na época. O vozeirão do Rei do Baião, a letra simples, tristemente verdadeira e simples… Era bonito. E ficava igualmente preciosa na voz do Gil. Atraído pela “Pau de Arara”, apurei os ouvidos sobre o disco de Gilberto Gil. Há ali as perólas dele mesmo (“Na casa dela” e “Onde vem o Baião” são minhas favoritas), mas são do velho Gonzaga as canções mais tocantes. Por isso, acrescento a particularmente bela “Último Pau de Arara”. O refrão é conhecido, o tema do pau-de-arara é recorrente mas… Isso não importa. A composição (segundo o site de letras do Terra) é de Venâncio, Corumba e J. Guimarães

“A vida aqui só é ruim
Quando não chove no chão
Mas se chover dá de tudo
Fartura tem de montão
Tomara que chova logo
Tomara meu Deus tomara
Só deixo o meu cariri
No último pau-de-arara (bis)
Enquanto a minha vaquinha
Tiver o couro e o osso
E puder com o chocalho
Pendurado no pescoço
Eu vou ficando por aqui
Que Deus do céu me ajude
Quem sai da terra natal
Em outros cantos não pára
Só deixo o meu cariri
No último pau-de-arara (bis)”

Como se vê, essas canções não eram composições (ou apenas) do Rei, mas a voz dele, a imposição e a experiência dão-lhe propriedade, e muita. Eu acabo me impressionando como a gente demora tanto tempo até ser capaz de discernir o que é realmente bom do que é apenas divertido. Gil, Gonzaguinha e Gonzagão são, definitivamente, parte do primeiro time…


A bela caricatura é de autoria de Albert Piauí

Paulo Autran recita… e o coração chega a doer

Postado em Fernando Pessoa, Poesia em 10 Junho, 2008 por Lucas Ed.
Pelo menos a minha tristeza toda serviu pra me lembrar de algo que eu descobri existir no semestre passado, numa disciplina péssima mas que me deixou com água na boca: poesias do Fernando Pessoa recitadas pela belíssima voz do falecido Paulo Autran. Numa aula de “Psicologia, cinema e literatura” (não se empolgue. Só o nome prestava) o professor levou um CD com duas ou três poesias recitadas por esse gigante da dramaturgia brasileira: foi o suficiente. É maravilhoso. Graças ao santo Orkut encontrei o disco com todas as poesias que ele recitou. Tô baixando, evidentemente. Se você quer saber ou sabe o que é bom, baixe também, clicando aqui.

… Deixe lenços por perto.

Tristeza não tem fim… felicidade sim.

Postado em Música, Tristeza em 10 Junho, 2008 por Lucas Ed.
Hoje me deu uma tristeza repentina enquanto lanchava/jantava. Uma tristeza profunda, daquela de dar vontade chorar sem mais nem menos. Não sei de onde isso veio, não sei mesmo. Talvez seja o estágio, no qual meu descomprometimento ficou evidente a ponto d’eu achar que é ombridade largá-lo, ou o final do semestre, ou o início do desespero para conseguir estágios curriculares, ou se é a falta de grana, ou a constatação de que, em quatro anos de faculdade, não aprendi nada, não sei e nem posso querer saber nada…
Sei que fiquei triste.
Enchi os olhos de Fernando Pessoa e os seus e fiz uma pequena playlist fossa no Winamp: tudo forma de catalisar as catarses. Nana Caymmi e Tom Jobim quase me levaram às lágrimas.
Segue a playlist:

1. Chico Buarque – Apresentação/Desalento (4:12)
2. Chico Buarque – Cadê Você (Leila XIV) (2:51)
3. Chico Buarque – Ela faz cinema (3:21)
4. Chico Buarque – Gota d’Água (3:08)
5. Chico Buarque – Hino da repressão – 2º turno (2:06)
6. Chico Buarque – Hino de Duran (2:59)
7. Chico Buarque – Ligia (2:54)
8. Chico Buarque – Renata Maria (3:37)
9. Chico Buarque – Todo O Sentimento (3:05)
10. Chico Buarque, Caetano Veloso & Elza Soares – Tiro De Misericórdia (4:50)
11. Elis Regina – As aparências enganam (4:07)
12. Elis Regina – Atrás da Porta (2:50)
13. Elis Regina – Casa forte (2:50)
14. Elis Regina & Tom Jobim – Soneto de separação (2:18)
15. Gilberto Gil – Sobre todas as coisas (5:01)
16. Milton Nascimento – Beatriz (5:01)
17. Tom Jobim & Edu Lobo – É preciso dizer adeus (4:17)
18. Tom Jobim & Nana Caymmi – Por causa de você (3:03)

Nem tudo é triste, eu sei. Mas é bonito, daquele bonito de se ouvir sozinho, num canto sem incomodar ninguém: triste.

[Poesia Nova]: Sem nome (de Lucas Ed.)

Postado em Poesia em 8 Junho, 2008 por Lucas Ed.

As pessoas vivem apenas por
um instante.
Quem vive agora morre
para viver novamente agora.
Ah, mas eu amo umas pessoas!
Amo-as assim agora,
amo-as assado agora.
São pessoas diferentes sendo
a mesma viva-morta-viva:
o ciclo se repete e não pára,
meu sentimento muda e mata as pessoas,
(não se pode amar uma mesma pessoa
da mesma forma do que por mais
de um instante) daí elas morrerem.

Os poemas com nomes de pessoas
são pegadas na areia fina: a inspiração
já se foi, já mudou
e a areia, basta que a maré suba,
que o vento mude.
Durou dois segundos.
Faça as contas: um poema com nome de gente
dura mais que a gente.



Nota Suína: Faz tempo que eu escrevia uma poesia, achei que não dava mais conta. Até que saiu essa, da qual eu curti.

Cabelo Duro

Postado em Letra de música em 1 Junho, 2008 por Lucas Ed.
Cabelo duro
música de Itamar Assumpção

Eu tenho cabelo duro
Mas não o miolo mole
Sou afro brasileiro puro
É mulata minha prole
Não vivo em cima do muro
Da canga meu som me abole
Desaforo eu não engulo
Comigo é o freguês que escolhe
Sushi com chuchu misturo
Quibebe com raviole
Chopp claro com escuro
Empada com rocambole
Tudo que é falso esconjuro
Seja flerte ou love story
Quanto a ter porto seguro
Tem sempre alguém que me acolhe
É com ervas que me curo
Caso algum tombo me esfole
Em se tratando de apuro
Meu pai Xangô me socorre

Em homenagem a lembrança que tive hoje, a de que um dia tentaram me ofender dizendo que eu teria filhos negros…