Arquivo para Abril, 2008

Vida de estagiário

Posted in Apatia, Egóico, Explicações, Faculdade on 30 Abril, 2008 by Lucas Ed.

Falando um pouquinho da minha vida.
Você já viu aqui que eu ando muito ocupado ultimamente. Pois então, acho uma boa hora pra começar a falar destas ocupações, a começar pelo estágio.

Assim, cabe dizer estou estagiando dentro da própria UFMG, num núcleo de Psicanálise e Educação chamado NIPSE, coordenado pela fodônica Ana Lydia Santiago, psicanalista lacaniana (tá, ignore as categorias caso você não entenda. Só saiba que a mulher é foda e trabalha numa área foda. Simples). O programa que ela está tocando chama-se P33, e é ligado à secretaria de educação municipal. Consiste em uma série de intervenções nas 33 piores escolas municipais de BHCity, objetivando melhorar a situação das mesmas. Ok? Pronto, você está inteirado do assunto.
Aí começam os problemas: as intervenções são preparadas através de conversas coletivas iniciais, com professores, alunos e demais envolvidos chamadas, metodologicamente, de “conversações”. Ao fim da intervenção naquela escola, é preciso que se compare o presente e o passado e, para tanto, as conversações iniciais são gravadas e transcritas por estagiários (Alô mamãe!). Bem, transcrever fita é um porre. Como a maioria das conversações são feitas na parte da tarde (horário em que eu estou estudando na faculdade) eu não posso tomar parte delas, ficando só com o trabalho de transcrever as gravações (já falei que é um porre?). Então visualize: 60min de conversa, com 8, 10 professoras. Se não é, devia virar modalidade de punição no Inferno de Dante. Na verdade, mais irritante que a atividade em si é o fato desestimulante de que qualquer pessoa que seja alfabetizada e não seja surda pode fazer isso. Não precisa nem ter estudado além da quarta série.
Mas relevemos. O trabalho é mais chato porque eu só posso me dedicar à parte mais acéfala do processo, ao menos por ora.
Entretanto, há um segundo problema. Obviamente, as 33 escolas são situadas em áreas social/economicamente desfavorecidas: as favelas e aglomerados. Lugares de muita violência e miséria, onde os homicídios e congêneres são lugar comum. Ou seja, são lugares em que meu alter-ego heróico, o Detetive Lucas Eduardo, vai constantemente, chafurdando sangue e lama em busca de culpados.

Você consegue perceber a implicação desta dicotomia? É seguro que durante o dia, entre numa escola com intenções puramente acadêmicas um sujeito que, de noite, irá lá atrás de homicidas? E quando pergunto se é seguro não me refiro à minha segurança (ela foi pro espaço quando topei essa profissão, recebi porte de arma e “distintivo”), mas à segurança dos demais envolvidos no projeto.
O fato é que isso tem me tirado o sono, a paz e a vontade de trabalhar. Veja bem: é um estágio importante pra fazer parte, é um enfoque inusitado (ao menos pra mim) numa área que eu gosto com uma coordenadora foda! É a chance de ver a teoria acontecer, de postular, de pensar novos usos pras coisas que não os que se aprende em sala de aula (no caso, ver a psicanálise fora da intervenção clínica)! Mas a verdade é que me falta a forma correta de chegar e explicar a situação.
Daí o desinteresse toma conta (pra quê entrar de cabeça se, ao saber da minha situação, é imensa a probabilidade d’eu ser chutado?) e transcrever as conversas fica insuportável. Pra se ter idéia, para cada meia hora sentado à frente do Sound Forge+Word, eu “descanso” quase três!

É dose.

[Estou ouvindo] Mussum – Água Benta

Posted in Estou ouvindo, Resenha on 28 Abril, 2008 by Lucas Ed.

Muitas vezes a gente se surpreende na vida. Nem sempre a surpresa é boa, mas é meio perda de tempo falar delas.
Não é o caso.
Acabei nesse disco pelo mais puro acaso do destino. Digitei no Google “Mussum” com o objetivo de achar uma boa imagem do mangueirense mais fódis dos Trapalhões para fazer uma estampa de camiseta (nessa mesma busca descobri a existência de uma “Mussum Forévis“, muito boa). Aí deu que caí nessa imagem acima e, consequentemente, no blog Música da Minha Gente, muito bom, de download de música brasileira.
Lá, a surpresa: um disco de samba do Mussum, datado de 1978.
Mussum cantando samba? Não, a surpresa não é esta. Antes de fazer parte da trupe do Didi, Kid Mumu da Mangueira já cantava, e muito, com o Originais do Samba (donos de clássicos como “Tragédia no Fundo do Mar” – assassinaram o camarão). A surpresa é que o disco, totalmente desconhecido da massa, é absurdamente bom!
Mussum, que pra mim formou com Zacarias e Tião Macalé a nata dos Trapalhões, faz um disco de samba como poucos. É gostoso de se ouvir, tem toda a malícia e qualidade que o samba exige, e esse pagode mela-cueca de hoje em dia faz os acéfalos esquecerem. Ah, e o bom humor. Afinal, é um disco do Mussum, cacildis!
Ao contrário do que normalmente faço, vou falar do disco faixa a faixa, pelo obscurantismo do mesmo.
O disco abre com a facinha “Chiclete de Hortelã”. A letra é aquele clássico samba cotidiano, quase nada a dizer, só curtir o padeiro e a percussão. O sujeito pede um chiclete de hortelã pra aliviar o bafo de cana. Arroz com feijão.
Segue a faixa título, “Água Benta”, com a participação de Alcione, com uma voz um tanto diferente do que a gente tem de suportar hoje em dia. Pra mim, esta faixa, divertidíssima, mostra que música de corno não precisa ser chata!
“Alô Judith” é das minhas favoritas. Lembra de “Conceição”, do Cauby Peixoto e “Quem te viu, quem te vê” do Chico? Então, tal qual, aqui temos uma mulher que largou a vida simples pra ser alguém especial e… se deu mal no processo. A Judith nem se ferrou tanto, mas perdeu algo importante: o amor.
“Artigo esgotado” me lembra “Apaga o fogo, mané” do Adoniran. É boa e triste, conta do sujeito que, duma hora pra outra, se vê largado pela patroa, tendo como única explicação umas palavras rascunhadas num papel de pão.
“Cada vida um destino” eu tenho a ligeira impressão de já ter ouvido antes, na voz de outro. A poesia é bela, mas o começo da música é meio chatinho. É uma canção simples, sobre a jornada da vida.
“É ouro só” é uma canção bacana sobre a Bahia. É feita naquela forma das canções populares, com um refrão repetitivo e repetido muitas vezes. Apesar das qualidades, acho das mais fraquinhas do disco.
“Foi melhor assim” é a música oposta à dor de corno. Aqui é o sujeito quem dá mala pra dona Maria. Dois versos são sensacionais: “Você me marcou/já cicatrizou” e “Diz que vai embora/vai que tá na hora”. Sensacional. O ritmo é aquele pagodão de fundo de quintal mesmo. Coisa fina!
“Malandro Quilombola” me mata de rir. Mussum se pergunta como seria caso vivesse lá nos 1600, no Quilombo de Palmares, sob a batuta de Zumbi. E chega à conclusão que não daria certo, pois não é talhado nem pro trabalho na lavoura nem pras batalhas!
“Nêgo Juca” também é das minhas favoritas. Segura onda, nêgo Juca! Sambinha-conselho simples, direto e muito divertido.
“Rio antigo” é das músicas mais bonitas do disco. Numa interpretação quase bossa, Mussum e Chico Anysio (sim, o Professor Raimundo!) emocionam ao contar da saudade do Rio de Janeiro de antigamente. Emocionante até pra quem nunca soube desse Rio.
Sabe o clássico sambinha de duplo sentido, sacana e que diz safadeza (quase) sem dizer? No caso do disco do Mussum, essa tarefa cabe à “Tem que ser hoje”. E nem vem com essa de não querer furunfar!
Fecha o disco a mais ou menos “Vai se arrepender”. O machão dita os direitos e as obrigações de mulher, avisando do risco de pisar na faixa.

Pois é isso. Caso você não tenha sacado, eu recomendo absurdamente o disco.
São cinco Oinc’s! com louvor!

Ah, e faça um favor à sua bagagem cultural: baixe o disco aqui!

Nota Suína: Agradeço imensamente ao B’Side, do Músicas da Minha Gente, por disponibilizar tanta coisa boa, difícil de achar por aí! Valeu de coração, cara!

Busy, busy, busy

Posted in Egóico, Reflexões on 26 Abril, 2008 by Lucas Ed.

Caramba, hoje acordei tarde, cheio de dor de cabeça.

Tinha dormido morrendo de azia e absurdamente cansado, pra acordar com enxaqueca e o corpo todo dolorido (as pernas estão de matar).
Dei uma panorâmica no meu quarto e notei o estado deplorável das coisas: tudo, absolutamente tudo está fora de lugar.
É conseqüência do meu atual estado de ocupação. Trabalho, faculdade, estágio, Mosaico, Rádio UFMG, comissão de formatura… Alie a tentativa de estudar as coisas que quero, os dessabores recentes com o carro (e conseqüentemente os transtornos financeiros gerados) e você poderá compreender porque há no meu quarto uma pilha de quadrinhos não lidos, rivalizando, ombro a ombro, com uma pilha de filmes não assistidos.
Me sinto um garotão que broxa: “isso nunca me aconteceu antes!”

Fica fácil entender a instabilidade do humor, a zona do habitat e o desânimo generalizado…

Mas vai. Vai que eu não vou.

Elas têm peito!

Posted in Bem vindo ao mundo do bizarro Alex, Reflexões on 25 Abril, 2008 by Lucas Ed.
Como membro da comissão de formatura da minha turma, ontem tive uma inglória missão: ir a um showroom de bandas, buffets, decoradoras e fotógrafos. Lááááááá no badalado Domus XX, no Canadian Garden, terra do velho Elfo.

Pois eis que, auxiliado por aditivos alcóolicos similares aos que o meu Madruguinha ingere, e em meio à todos aqueles decotes de gala, tive a seguinte reflexão:

Ainda bem que Deus deu peitos para as mulheres. Elas sabem usar.
Se desse pros homens, nós passaríamos o dia inteiro beijando, cheirando e relando neles!
Sem mais por agora, encerro com algumas imagens e um trecho, expoente maravilhoso de nossa cultura contemporânea, da canção “Sexo” do Ultraje a Rigor:

Você sabe que eu adoro um peito!
Peito pra dar de mamar, peito só pra enfeitar!

Jesus Cristo na alta da maré!

Posted in Bem vindo ao mundo do bizarro Alex, Religião on 17 Abril, 2008 by Lucas Ed.
A pedido de um colega de grupo de jovens, andei procurando imagens de Cristo no Google, pra fazer um lance que ele pediu. Depois de páginas e mais páginas de busca, o serviço começou a compensar. Primeiro porque eu encontrei, com boa qualidade, imagens de “Jesus Cristo para o século XXI”, do filme “Dogma” do Kevin Smith (é a imagem acima). Que eu sempre achei mais que foda, desde a primeira vez que vi, mas nunca tinha pensando em baixar a imagem.
Depois, o que se seguiu foi um festival de bizarrices sensacionais. Jesus astronauta, bonequinho versão “pescoço-mole” (tipo aqueles cachorrinhos que os barangos põe na atrás do banco traseiro dos carros, e que balançam a cabeça com o movimento) e outras loucuras.
Mas o mais sensacional foram os Jesus radicais. Tem o Filho do Homem praticando escalada, surfe, skate e hugby! Absurdamente fantástico! As fotos seguem abaixo, e foram retiradas daqui.


Nota Suína:
Tenho certeza de que se minha mãe vir isto, me deserda na hora!

[Estou ouvindo] Trilha sonora de Juno

Posted in Estou ouvindo on 17 Abril, 2008 by Lucas Ed.
Um dos filmes mais gostosinhos (sei que é pederasta, mas é a melhor palavra que consigo pensar) que vi em muito tempo foi Juno. Sem grandes inovações, volutas no roteiro e essas hollywoodices, o filme é sincero, conta uma história simples e verdadeira e fim. Bom, vale a pena e eu estou esperando sair em DVD pra comprar.

Mas um há um ponto muito marcante no filme, que é a trilha. Cheia, abarrotada de musiquinhas legais, juvenis e divertidas, me senti obrigado a baixá-la.
E puxa, vale a pena! A trilha é realmente muito boa. Eu não entendo muito de música, mas percebo (já que tenho ouvidos) que a maioria das músicas segue o mesmo tom (que eu não sei dizer qual é). Desde a deliciosa “Anyonse else about you”, que toca no fim do filme e que foi o móvel mais forte pr’eu downloadear a trilha, até a surpreendentemente divertida “Vampire”, do Antsy Pants. As duas, acrescidas de “Loose Lips” de Kymia Dawson já são minhas favoritas, mas é tarefa difícil eleger assim. Mesmo porque, enquanto escrevo estou ouvindo o disco e toda hora que troca de música eu penso em aumentar a lista de favoritas!

Assim, pra fechar este [Estou ouvindo] literal, deixo um pedacinho do próprio filme, a belíssima cena final em que Ellen Page e Michael Cera cantam juntos “Anyonse else about you”, só no violão. Muito bacana.

Nota: 4,5 Oinc’s!

[Estou ouvindo] Móveis Coloniais de Acaju

Posted in Estou ouvindo on 16 Abril, 2008 by Lucas Ed.

Você veja o que é a ultramodernidade, esse período histórico em que prevalece o caos do “tudo-ao-mesmo-tempo-agora”. Não tem nem muitos meses, o bom camarada Dieguito Las Casas me apresentou ao mundo do swing (o ritmo musical, não a troca de casais, mané). Na verdade, eu já conhecia o ritmo, só não sabia que era o que era. Daí, beleza, tenho ouvido bastante Big Bad Voodoo Daddy (fala sério: só o nome já vale a conferida!) e The Bryan Setzer Orchestra. Coisa fina.

De uns tempos pra cá (coisa de duas semanas) um burburinho musical fresco começou a tomar conta do meu mundo (subentenda-se: da FaFiCH): um tal de “Móveis Coloniais de Acaju”. Como quem me falou dos caras foi o Gustavo calouro (o mesmo de “A fonte da vida”) eu achei que fosse um lance meio porralouca, sei lá, não me chamou. Entretanto, ontem de passagem pelo blog do Elfo velho, me deparei com um clipezinho da banda, do single “Seria o Rolex?”.
Tô pra te dizer que o clipe é um lixo. É mesmo, não curti. A música é absurdamente desconexa (dá pra entender de boa) e tem umas pitadas muito, muito boas de swing. Foi aí que me fisgou. (Tá, depois eu descobri que o clipe era uma grande piada dos caras com eles mesmos, mas já era tarde)

Como a internet é meu pastor e nada me faltará, corri ao discografias para saber o que há dos cabras. Somente dois discos, um EP e o “Idem”, de 2005/2006. O que dizer? As letras non-sense total permanecem (“Seria o Rolex?” é uma das menos bizarras), elevadas à enésima potência. Na verdade, elas promovem umas viagens bacanas, tentar entender o que eles querem dizer e tal. A marcada do swing é mais forte, e, ouvindo os discos, pude localizar o ska no som deles, que o Elfo tinha citado e eu pensado: “Onde?”
No fim, o som dos caras é bem bacana. Não sei (e acho que pouco importa) se serão os novos “Los Hermanos” ou coisa que o valha, mas vale a pena. Se você está afim de uma música dançante, de qualidade e bom humor, clica aqui e baixa tudo.

Nota póstuma: quando o GustavoCalouro me falou do show do Móveis, eu não dei valor, já disse. Agora, vendo o post do Elfo sobre o show, vi que, além da apresentação da banda ter sido bem bacana, ainda rolou Carbona, que faz um rockzinho adolescente que me diverte bastante. Que mula eu sou.

Móveis Coloniais de Acaju, “Idem” e “EP”.
Nota: 4 Oinc’s!

[Eu vi] A Fonte da Vida

Posted in Eu vi, Resenha on 8 Abril, 2008 by Lucas Ed.
Sabe aqueles filmes que você nunca ouviu falar e, quando lhe dizem dele, você se surpreende pelo elenco, tão em voga, ter lhe passado batido? Pois é. “A Fonte da Vida” é um caso assim. Encabeçado por Rachel Weisz e Hugh Jackman, eu nunca tinha ouvido falar nada dele. Até a entrada dos calouros deste semestre.
Em “A Fonte da Vida” somos apresentados a três histórias distintas cronologicamente. Na primeira, um conquistador espanhol tenta encontrar a Árvore maia da Vida, cuja seiva, crê-se, traz a imortalidade para quem a beber. Ele espera encontrar tal árvore pra salvar sua Rainha, que está à perigo frente as ameaças de um Inquisidor sanguinário. Posteriormente ficamos sabendo que essa trama toda é apenas uma história ficcional que a personagem Izzi Creo (Rachel Weisz) vem escrevendo, chamada “The Fountain”. A segunda história trata de um médico-pesquisador, o Dr. Creo (Jackman) que procura a cura do câncer, ao mesmo tempo em que sofre com o fato de sua esposa (Izzi Creo/Rachel Weisz) estar desenvolvendo a doença. Por fim, e espero que você tenha tomado sua dosezinha de ácido, temos um careca meio budista (Jackman) singrando o espaço numa bolha, em companhia de uma imensa árvore.
As três histórias são interpretadas sempre pela mesma dupla (Jackman e Weisz, tonto!), o que levou alguns manés da crítica especializada, dizerem que a história se passa em três encarnações. No way! A história do conquistador e a rainha nunca aconteceu, é uma (argh!) estória. Assim como a versão futurista do astronauta careca é simplesmente a “continuação” do presente (atenção às tatuagens).
Uma tendência nefasta do cinema contemporâneo é esconder roteiros chinfrim sob toneladas de efeitos especiais. Ainda que o roteiro de “A Fonte da Vida” não seja chinfrim, ele é bem raso, e depende mais da complicada forma que o autor escolheu para contar a história (lembrando que complicado é bastante diferente de complexo) e dos efeitos pioneiros para alçar o status de cult. A história pode ser definida numa linha geral: Tommy Creo, o médico-pesquisador, não se conforma com a morte e, nem mesmo em cem anos, se conformará. Mas sua esposa está pra passar pro outro lado do mistério. Tudo o que vive, morre. Fim.
Se o roteiro não passa disso, vamos ao que segura a fama do filme: os efeitos inovadores e as atuações. Darren Aronofsky (o diretor) não usou imagens geradas por computador em nenhum momento para mostrar seu lisérgico futuro (quer dizer, usar usou. Mas não com a força que se imagina numa primeira vista). Do contrário, ele usou filmagens microscópicas de manipulações químicas em laboratório, criando sua visão do Shibalba Maia (espécie de lugar para onde vão os mortos). E aí temos cenas realmente belas, lisérgicamente belas, como já disse. Ressalto a cena do arrebatamento do astronauta, quando ele aceita que a morte é o caminho da vida. A tomada é maravilhosa.
E talvez aqui seja importante fazer uma distinção em favor do filme e de seu diretor: o roteiro pode ser bastante simples, mas a mensagem que ele quer passar, não. O medo e a relutância frente à morte, única certeza que temos, é imanente à humanidade. E às três tramas caminham e terminam com a aceitação da inevitabilidade morte, seja de forma serena e refletida (como o astronauta careca e o médico-pesquisador), seja de forma brutal, como o conquistador. De novo, chamo atenção para a cena final do astronauta: só aceitando a morte é que se pode viver. Sublime.
Sobre as atuações, desde o primeiro momento você percebe que a personagem de Rachel Weisz está sofrendo de algum mal, e que dificilmente chegará ao fim da película. Da mesma forma, Hugh Jackman faz um obcecado em três momentos e contextos diferentes, mas ainda um obcecado. Sua postura é perfeita, é sofrida quando precisa ser, e você sofre com ele. Pra quem está acostumado com o australiano apenas no papel do gritalhão Wolverine (X-men I, II e III) há de se supreender, mas quem já “transcendeu” essa fase do ator (“O Grande Truque” e “Scoop”) não se surpreenderá.

De fim, o filme é bom. Nada de maravilhoso como eu esperava frente às recomendações (mesmo porque eu detesto essa despirocação visual), mas ainda assim, bom. Não é fácil, não agradará a todos, mas também não se configura como um desperdício de aluguel na locadora.

Nota: 2,5 Oinc’s!

(Eu sei que tenho dado 2,5 OInc’s! pra tudo. Mas só tenho visto coisas medianas! Acho que vou assistir “Jumpers”. A galera têm falado tão mal que pelo menos diminuo a nota…)

Vai, Teia!

Posted in Quadrinhos, Youtube on 7 Abril, 2008 by Lucas Ed.

Passeando pelo blog do Universo HQ, me deparei com esse videozinho.
Nada mais que uma versão curta, em stop-motion com bonecos de LEGO de Homem Aranha II.
E tô pra te dizer, como não sou muito fã de Homem Aranha II, essa versão LEGO ficou absurdamente melhor que a oficial.
Há o ponto chave em se tratando de Homem Aranha que o Raimi nunca soube usar: o humor. Ok, aqui está escrachado, mas pra mim o Aranha precisa ser, antes de tudo, engraçado. Ele é o cara que ri da própria desgraça. E o que mais tem na vida dele é isso…

Chega de conversê. Veja logo o filme.

[Eu vi] Rambo IV

Posted in Eu vi, Resenha on 3 Abril, 2008 by Lucas Ed.
Depois de muito protelar, decidi assistir à nova pérola do velho Stallone. Como diria Falcão, confesso que fresquei, e protelei por simples repúdio à violência desenfreada e sangue galopante que se via nos trailers.
Entretanto, nem os trailers me prepararam para TANTA violência e sangue morro abaixo assim!

Num rápido resumo, Rambo agora é um cara aposentado, que vive sublimando seus impulsos assassinos caçando cobras com as mãos e pescando com arco e flecha. Só que ele faz isso num paíseco asiático, lá pros lados da Tailândia, vizinho de Mianmar, outro paíseco que vive uma guerra civil há mais de sessenta anos.
Entretanto, nem tudo é simples e, nessa vida fácil, um belo dia John Rambo é importunado por um bando de missionários manés, que querem porque querem levar sua mensagem cristã de paz, seus remédios e cuidados médicos ao povo em guerra. E eles precisam de alguém pra pilotar um barco rio acima. Esse alguém é o velho John Rambo.
O cara reluta mas acaba topando, por conta de um pedidozinho mais com ares de lição de moral feito pela única mulher presente, Sarah.
Beleza, ele desova os caras no zona de guerra e rala peito de lá. Dez dias depois, no meio de pesadelos (flashs dos filmes anteriores), Rambo é visitado pelo pastor que despachou aquelas ovelhas para a morte. O velho conta que o grupo foi atacado, capturado e que ele contratou mercenários para buscá-los. Mas ele nem sabe onde exatamente, e pra isso precisa do Rambo. Afinal, ele sabe onde deixou os missionários.
Assim, nosso velho veterano parte com os mercenários, para resgatar os missionários (tô fazendo de sacanagem). Antes, ele entra em sintonia com o demônio que vive dentro de si e resolve parar com esse lance de sublimação: pulsões assassinas são para serem externadas.
Entre mortos e feridos ele consegue salvar todo mundo que importa. Fim.
Ah, claro, entre as partes que eu contei rola muita, muita morte. E desmembramentos, dilacerações e explosões de corpos asiáticos. Sangue é mato!

Passemos então à crítica.
Primeiro, analisando Rambo IV à luz da onde de revivals perpetrada pelo Stallone, que fique bem claro que “Rocky Balboa” (popularmente conhecido como Rocky VI) e “Rambo IV” são muito diferentes. São diferentes quanto ao clima e, mais importante, quanto ao esmero. Em “Rocky VI”, Stallone se esforça, deixa o óbvio para trás (Boxe! Boxe! Vitórias impossíveis a la Cavaleiros do Zodíaco) para contar uma história tocante sobre um sujeito que se dá conta que a vida não é mais como antigamente. Já em “Rambo IV” ele trilha o caminho inverso: cái no óbvio. O roteiro, praticamente um rascunho de história, está ali simplesmente como pano de fundo para matar pessoas das mais diferentes formas. Tiros, explosões, facadas, “arrancamento” manual de traquéias. Assim, nem preciso falar que “Rocky VI” me agradou mais, por ter me emocionado mais, mas isso não quer dizer que “Rambo IV” não tenha sido legal. Foi!
Inclusive, a questão do fiapo de roteiro foi ponto recorrente em muitas resenhas e conversas sobre o filme que tive. Oras! Concordo, mas acho estranho que a crítica só exista por se tratar de um filme do Stallone. Não entendeu nada? Eu explico.
Já ouviu falar de um filme chamado “Irreversível”? Sim, um filme europeu com a Mônica Bellucci e o marido dela (me foge o nome) em que há uma cena de estupro de 15 min de duração. Pois então, “Irreversível” tem um fiapo de roteiro, que só serve de plano de fundo para a cena do estupro (bem como a do homicídio com o extintor de incêndio que, não sei por que, não ficou tão afamada). Entretanto, mesmo esse fiapinho é bem amarrado e a história faz sentido. “Rambo IV” também! O roteiro é uma vaga lembrança, mas mesmo essa vaga lembrança é amarradinha, serve bem ao seu papel: dar um pano de fundo para as incontáveis mortes. Não é como um filme pornô em que as coisas (e as mulheres) se dão sem mais nem porquê, apenas pra partir logo pro seo.
No fim, “Rambo IV” é um filme bacana. Você vai se enojar com as mortes, o sangue e tudo o mais, mas vai se divertir do mesmo modo que se divertia vendo os filmes antigos. O personagem John Rambo é bom em matar pessoas na selva, portanto, não corra atrás de um filme dele esperando diálogos filosóficos e contestação do status quo da sociedade. Vá para ver um cara enorme matando pessoas na selva. Ponto. Você não vai se decepcionar.

Nota: 2,5 Oinc’s!