Arquivo para Março, 2008

[Eu li] Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia

Posted in Eu li, Resenha on 31 Março, 2008 by Lucas Ed.

“Vale, vale tudo! Vale o que vier, vale o que quiser, só não vale cobra com cobra, nem amassar bombril!”

Os versos acima, clássicos absolutos do gordo do vozeirão Tim Maia, são a tônica desta biografia, escrita pelo produtor e recentemente escritor, Nelson Motta.
Desde que fiquei sabendo do lançamento de tal livro, que oportunamente ganhou as lojas às vésperas de se completar dez anos da morte do Rei do Soul brasileiro, me animei. Gostava (e gosto) do gordo, de seus clássicos, como a própria “Vale Tudo”, “Do Leme ao Pontal”, “Cristina”, “Padre Cícero” e muitas outras. Mas estou pra lhe dizer: a leitura foi frustrante em pelo menos dois aspectos, sendo que um deles se divide em vários.

O primeiro, diz respeito ao próprio objeto da biografia, o Sr. Sebastião Rodrigues Maia, o velho Tim Maia do Brasil. O que nem seu amigo Nelson Motta disfarça (e olha que ele tenta, pintando tudo com cores mais alegres) é que o Rei do Soul era pessoa das mais insuportáveis. Egocêntrico, presunçoso, irresponsável e mau pagador. Por agüenta-lo, agora até vejo o pessoal da Vitória Régia, banda que acompanhava o cantor, com melhores olhos. Afinal de contas, Tim Maia era a versão Momo do estrelismo. Não pagava compositores e músicos em dia, protelava todas as dívidas. Faltava a shows, enchia a cara de pó e erva a ponto de não conseguir levantar da cadeira, tratava a tudo e a todos da forma mais passional possível: se ele gostasse de você, maravilha. Se não…
Claro, o homem tinha o que chamava atenção. O gênio detestável não impede, em nenhum minuto, que eu continue gostando de seu som eterno, do gingado, das letras (bobas, na maioria) da voz trovejante. Mas essas mesmas músicas não impedem que me lembre dessa insuportabilidade do sujeito. Além disso, é preciso dizer que a história dele foi bastante rica, afinal, quantos do círculo próximo de amizade dele se tornaram músicos tão bons quanto? Erasmo Carlos foi seu amigo desde a mais tenra infância. Jorge Ben batia uma bolinha com a sua turma, e teria gerado em Tim um certo ciúmes, por ambos usarem o mesmo nome artístico, “Babulina”. Roberto Carlos teve o desprazer de ser expulso do grupo musical de Tim, pelo próprio, onde também constava Erasmo. Flávio Silvino (o Severino Quebra-Galho, daquele humorístico deplorável) também dividira o palco com o (então jovem) Tião Maia. Não há como ignorar toda essa história riquíssima, mas também não se evita o repúdio à essa personalidade doentia. Não dá.

Outro ponto que frustra a leitura, diz respeito ao outro homem envolvido: o autor, Nelson Motta. Se como produtor ele é bom de serviço (trabalhou com Elis, lançou Ed Motta), como biógrafo ele ainda tem muito chão pra pisar. O livro sofre de erros simples de serem corrigidos por um editor comprometido e outros que só dariam certo se na mão de outro autor. Na categoria dos erros simples, há os desvios cronológicos, quando o autor conta, por exemplo, em duas passagens diferentes sobre um mesmo processo judicial que Tim sofria. É o mesmo processo, nenhuma informação nova se acrescenta e você se pergunta se está tendo um deja vu literário. Alie a isto o fato de que o livro é “dividido” em pequenos períodos cronológicos, já que, de tempos em tempos surge uma foto de página inteira com um ano e uma frase, como legenda. Entretanto, o texto não acompanha o período que é mostrado pelas fotos em muitos momentos, gerando uma chateação dos diabos. Outro ponto, um bom editor corrigiria algumas “liberdades poéticas” que o velho Nelson Motta toma. Por exemplo, ao descrever um inusitado show no Circo Voador, em que Tim Maia dividira a casa com o Molotov, banda de rock pesado, lá nos anos 90, diz Nelson Motta, mais ou menos assim: a casa se dividia entre os cabeludos, carecas e cheios de piercings do rock e as roupas coloridas dos funkeiros, com suas cachorras e popozudas. Percebe a importância do meu grifo? Tim Maia fazia funk, na linha direta de James Brown, Little Richard e cia. Nada de CACHORRAS e POPOZUDAS! Esse tipo de personagem contemporânea é cria do funk carioca, nascido do chamado “Miami pancadão”, e não tem nada a ver (ritmicamente e cronologicamente) com o trabalho do velho Maia, estando mais próximo do “gangsta rap” de 50 Cent e Snoop Dogg. Bola fora 1, Nelson Motta! Outra bola pro mato surge quando Nelson vai contar da gravação de “Chocolate” por Marisa Monte. O ano é 92-93, salvo engano. Aí, diz o Sr. Motta, mais ou menos assim: na verdade a música não fazia parte do CD de Marisa, era uma faixa extra gravada para o DVD ao vivo. Sacou? Hein? DVD em 1992, Seu Nelson Motta? Bola fora 2, isso sim!
Mas como eu disse anteriormente, há derrapadas no livro que só sendo outro escritor para evitá-las, já que se tratam de pontos importantes e que são mal abordados. Por exemplo, lá pelas tantas o autor nos conta que Tim Maia escreveu o clássico “Réu Confesso” para uma sua amada, cujo nome agora me foge. Entretanto, certa feita, uma enfermeira processa o Tião Maia, afirmando ser a autora da canção. Puto, Tim deixa de cantar o hit, pra não pagar direitos autorais à mulher, que os obtem pelo fato de que Sebastião não comparece às audiências. Mas afinal: a música era da enfermeira ou não? Faltou que o senhor Motta batesse o martelo, dizendo que sim ou que não. Coisa que ele se abstém de fazer. Será porque não sabia? Outra passagem nebulosa diz respeito à controversa fase em que Tim esteve envolvido com a Cientologia made in Brazil, ou seja, a Cultura Racional. Não só Nelson Motta, mas os noticiários e programas de Tv da época mostram Tim Maia como um fiel comprometido e sincero, que largou tudo em prol de uma luz na vida. Mas todos sabemos que Tim Maia e a Cultura Racional não continuaram juntos por muito tempo, o velho Maia rompeu com tudo, xingou Deus e todo mundo que era envolvido com a tal Cultura, chamando de picareta pra baixo o “mestre” da ordem. Isso todo mundo sabe. Mas como isso se deu? O que lhe deu o insigth que fez romper com tudo? Eu não sei, e Nelson Motta tenta nos empurrar güela abaixo que um dia Tim Maia acordou com a pá virada e decidiu mandar tudo às favas. Mas estava tão comprometido, tão convertido…
Por fim, uma coisa que eu me lembro que aconteceu, à época, e que Nelson Motta sequer se dignou a citar (talvez pra não sujar pro seu lado): quando Ed Motta começou na carreira artística, encontrou forte resistência por parte do tio. Tim não bicava muito o sobrinho e, porralouca como era, costumava deixar isso bem claro: todo mundo sabia do desafeto na época. Mas Nelson Motta ignora o fato e, talvez por ter sido produtor do Ed, diz que Tim adorava o trabalho do sobrinho. Engraçado que com as pessoas que conversei, todas se lembravam dessa rusga…

Meu veredito final é que o livro, talvez pela combinação explosiva de um “objeto de estudo” antipático apesar dos esforços do autor, e também pelo pouco talento e esmero do último, o livro não passa de mediano. Some a isto o preço alto (estava girando em torno dos R$50 mangos, apesar de que, vi agora, está em promoção no Submarino), e eu te diria pra ler o livro só emprestado. Mas, naturalmente, esta é somente e apenas a minha opinião…

Motta, Nelson. Vale Tudo, O som e a fúria de Tim Maia. Ed. Objetiva.
Nota: 2,5 Oinc’s!

[Estou ouvindo] Memória da Pele

Posted in Estou ouvindo, Letra de música, Rosebud on 27 Março, 2008 by Lucas Ed.

Composição: João Bosco

Eu já esqueci você
Tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre
A sonhar em vão
Cor vermelha carne da sua boca, coração
Eu já esqueci você, tento crer
Seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor
Sua casa, sua cama
Sua carne, seu suor
Eu pertenço a raça da pedra dura
Quando enfim juro que esqueci
Quem se lembra de você em mim
Em mim
Não sou eu sofro e sei
Não sou eu finjo que não sei, não sou eu
Sonho bocas que murmuram
Tranço em pernas que procuram enfim
Não sou eu sofro e sei
Quem se lembra de você em mim
Eu sei, eu sei
Bate é na memória da minha pele
Bate é no sangue que bombeia
Na minha veia
Bate é no champanhe que borbulhava
Na sua taça e que borbulha agora na taça da minha cabeça
Eu já esqueci você, tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre a sonhar em vão
Cor vermelha, carne da sua boca, coração

Nota Suína: Um dia, na vida, pode ser um dia só, eu quero ser capaz de escrever uma letra como essa. Simplesmente sensacional. Tô com essa música há tempos no MP3 player é só ontem ela tocou. Uma porrada.
2) Eu troquei a imagem do post. A Raquel falou que eu já havia utilizado antes aquela, do Galvão.

[Estou ouvindo] Novidades com gostinho de antigamente

Posted in Estou ouvindo on 24 Março, 2008 by Lucas Ed.
Usturdia, conversando com o honorável Beto na FaFiCH, citei que Wando era o máximo da cornitude e brejeira de má qualidade. A conversa desembestou a falar de música e ele me perguntou se eu conhecia a banda “Pedra Letícia”. Falei que não mas, depois que ele soltou os primeiros lances do hit “Eu não toco Raul” me lembrei de algo lá no fundo da memória, uma rápida passagem, uma ouvida sem compromisso.
Em casa, acessei a maior invenção da comunidade orkutica, o Discografias. Saquei lá uma espécie de compilação ao vivo da banda e, bem… Achei difícil não gostar do som dos caras! Descompromissado, divertido e engraçadinho! Me lembrou o Pato Fu bem no comecinho, de clássicos como “G.R.E.S.” e “Meu coração é u’a privada”, e um tresloucado John tocando bateria eletrônica no próprio corpo, se batendo.

Segue aí um videozinho dos caras (O Letícia Stone, oras) tocando um de seus clássicos instantâneos: “Como que ocê pode abandona eu¹“:

Como que ocê pôde abandona eu
Composição: Fabiano Cambota

[Refrão]
Como que ocê pôde abandoná eu
Se nóis foi sempre “siliz”
Esse moço nunca te mereceu
E eu sou o que ocê sempre quis

[Repete refrão]

Aquele zóio verde eu garanto que é lente
O meu é vesgo mas é natural
E aquele volume olhando de frente
É enchimento, aquilo não é normal

O BMW deve ser roubado
Já meu Belinão ocê me viu comprar
Foram 15 prestação que eu paguei atrasado
Mas só farta 2 e eu vou quitar

Agora que eu quero ver
Você sofrer na mão daquele mané
Eu nunca fiz a sua xana doer
E o apelido dele é tripé

[Repete refrão 2x]

Se ele faz Direito eu faço Enfermagem
Se luta jiu-jitsu eu jogo dominó
Se ele só bebe whisky Johnny Walker
Eu só bebo Druris e Schincariol

Se nas férias dele vai pra Nova York
Pega o avião, embarque, desembarque
Muito melhor é lá em Caldas Novas
Quero ver ter água quente lá no Central Park

Agora que eu quero ver
Quem vai te levar pra lanchar
Coxinha, esfiha e pastel
E dividir o guaraná

[Repete refrão 2x]

Ficar sem você eu não sei se consigo
Você foi embora e me deixou chorando
Beijo a calcinha que você deixou comigo
E no meu Philco-Hitachi tá rolando Wando

E pra terminar ouça o que eu te digo
Esse homem quer é aproveitar docê
Fica comigo, aceite o meu pedido
Nem que seja uma só noite que é pra nóis metê

Nota Suína: ¹ Apesar do título, o trio não é mineiro como o Pato Fu. São goianos, a terra da música breganeja. Inclusive, sobre o assunto (música breganeja) recomendo outra canção dos caras, “Caminhoneta Zero”, também disponível no SeuTubo.

Coração Selvagem

Posted in Letra de música, Reflexões on 15 Março, 2008 by Lucas Ed.
Belchior

Meu bem,
Guarde uma frase pra mim dentro da tua canção.
Esconda um beijo pra mim sob as dobras do blusão.
Eu quero um gole de cerveja no seu copo,
no seu colo e nesse bar.
Meu bem,
O meu lugar é onde você quer que ele seja.
Não quero o que a cabeça pensa. Quero o que a alma deseja
Arco-íris, anjo rebelde, eu quero o corpo: tenho pressa de viver!
Mas quando você me amar
Me abrace e me beije bem devagar
Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar,
Tempo para ouvir o rádio do carro,
Tempo para a turma do outro bairro ver e saber que eu te amo.
Meu bem,
o mundo inteiro está naquela estrada ali em frente
Tome um refrigerante! Coma um cachorro-quente!
Sim! Já é outra viagem!
E o meu coração selvagem tem essa pressa de viver!
Meu bem,
Mas quando a vida nos violentar,
Pediremos ao bom Deus que nos ajude.
Falaremos para a vida: “Vida, pisa devagar meu coração! Cuidado! É frágil!
Meu coração é como vidro como um beijo de novela!”
Meu bem,
Talvez você possa compreender a minha solidão,
O meu som é a minha fúria e essa pressa de viver!
E esse jeito de deixar sempre de lado a certeza
e arriscar tudo de novo com paixão.
Andar caminho errado pela simples alegria de ser.
Oh! Oh! Meu bem!
Vem viver comigo!
Vem correr perigo!
Vem morrer comigo!
Oh! Oh! Meu bem!

Talvez eu morra jovem. Alguma curva do caminho…
Algum punhal de amor traído completará o meu destino.

Oh! Oh! Meu bem!
Vem viver comigo!
Vem correr perigo!
Vem morrer comigo!
Oh! Oh! Meu bem!
Meu bem! Meu bem! Meu bem que outros cantores chamam baby!

Pra mim, essa é uma das músicas românticas mais bonitas que há. Além de convidar, honestamente, a amada para pular num precipício de mãos dadas (“vem correr perigo,/vem morrer comigo”), o eu-lírico se põe nu frente à amada e espera, somente, que ela o entenda. No fim, o arremate perfeito: com o verso “Meu bem! Meu bem! Meu bem que outros cantores chamam baby!” eu entendo que é como se ele dissesse que a sua amada, aquela que ele chama “Meu bem” fosse a musa de todos os outros cantores, só que estes a chamam “baby”…
A música toda é cheia de sutilezas belíssimas, uma poesia que vai além da mera letra de música.
Um dia ainda farei aqui uma análise mais paciente e minusiosa dela, aguardem…

Mulheres!

Posted in Meu samba é uma corrente, Reflexões on 10 Março, 2008 by Lucas Ed.

Anteontem, Dia Internacional da Mulher, o Judão publicou uma matéria bacana sobre fatos fritantes protagonizados pelas fêmeas da raça humana. Já eu não escrevi absolutamente nada sobre o assunto. Afinal de contas, acho o Dia Internacional da Mulher uma babaquice, uma mentira da peste. É como se dissessem: “Vamos fazer um dia delas senão a gente esquece.”
Eu não consigo esquecer delas. E você?

Entretanto, o quinto fato elencado pelo Judão merece atenção especial, de modos que eu, descaradamente, o reproduzo abaixo, sem alterar uma vírgula:

Fato inegável: mulher se arruma ou pra ela mesma ou para as outras mulheres. Vestidos mirabolantes, saltos altos sendo que qualquer blusinha branca sem sutiã já deixa a enorme maioria dos homens endoidados. Mas o que não dá pra entender a maldição das Chapinhas.

Só servem pra atrasar, irritar e deixar a moça sem graça nenhuma numa no cabelo. Aquele visual lambiiiiido, igual em toooodas as mulheres… Claramente esticado. Tipo, PRA QUE? Chega até a ser FEIO. Isso quando não vem aquela mulher com o cabelo crespíssimo e taca. Parece um capacete… Mas ela acha lindo. Só ela.

Ondulações RULEZ, Caracóis RULEZ… Chapinhas FEDEM.”

Sem mais.

Clique aqui para ler o post completo.

Quem é você?

Posted in Reflexões on 5 Março, 2008 by Lucas Ed.
Minha professora de Aconselhamento Psicológico, em duas semanas de aula, já ganhou o meu respeito ao afirmar algo que eu sempre acreditei e que sempre me deu medo, ao mesmo tempo. De que a gente nunca sabe a amplitude que nossas palavras terão. (na verdade a gente nunca sabe a amplitude de nada, de nenhum ato. Mas a palavra, a linguagem, são tão constituintes daquilo que somos que… Espero que vocês entendam)

Pois bem, algumas semanas atrás eu disse um “Não”.
Ai de mim negar os motivos que me levaram a ele, mas só no último domingo eu vi como era importante ter dito “Sim” no lugar.
Acabou que eu disse, meio que atrasado, meio que bastante refletido, mas disse.

A gente nunca sabe a amplitude que nossas pequenas palavras (três letras e um sinal gráfico!) terão. E acaba só descobrindo quando alguém chora.

Por que é tão difícil acreditar nas coincidências?

Posted in Reflexões on 5 Março, 2008 by Lucas Ed.
Recentemente (coisa de uns poucos anos) meu pai o Homer Simpson converteu-se ao espiritismo kardecista. De lá pra cá, a frase que eu mais ouvi dele é: “Lucas, nada é coincidência”.
Eu tenho uma frase besta que gosto muito de usar e é dizer que “as coincidências são muito coincidentes”.
Percebe que, em duas frases, eu e meu o Homer nos situamos em pontos simetricamente opostos de uma mesma linha? De sua parte, ele crê que sobre o mundo jaz uma mão poderosa, uma energia imensa que articula, liga os pontos. Do meu banquinho cético, creio eu que as coisas simplesmente acontecem. Nossas vidas são como carros numa auto estrada que, uma hora, por bem ou por mal acabam colidindo (ok. A metáfora foi mórbida, mas eu ainda estou sem meu carro!)

Hoje tive uma dessas coincidências coincidentes. Desde a semana passada eu vinha combinando com a galera da faculdade de ir ao Mineirão hoje, assistir ao Cruzeiro jogar contra o Caracas, pela Libertadores da América (cara, nunca tinha refletido sobre esse nome…). Mas deu que hoje eu acordei num mau humor de secar a plantação, na faculdade o mau humor cedeu espaço à uma certa melancolia e eu acabei desistindo de ir ao estádio. Passei no xerox, peguei alguns textos e cacei o rumo de casa.
Há um pouco mais de uma hora, um puta amigaço meu ligou. A tia dele, que mora no mesmo lote, fora assaltada na rua, perdendo bolsa e telefone celular. Num desses gestos automáticos (e causado por uma particularidade da situação) esse meu amigo ligou para o telefone celular da tia e ouviu, do assaltante, várias ameaças, dizendo que o conhecia, que sabia onde sua mulher morava e, ao fim, que iria matá-lo.
É claro para todo mundo que eu posso fazer, efetivamente muito pouco por esse meu amigo, né? Pra ele isso é ainda mais claro, uma vez que ele também trabalha no ramo da segurança pública. Mesmo assim, ainda em um pouco de estado de choque, de susto mesmo, ele me ligou. Explicada a situação, falei sem pensar em mais nada: “tô indo praí”.
Lá, não havia nada que me coubesse fazer. Ele, a tia, os demais parentes, todo mundo sabia disso, já disse. Mas todos, sem exceção, queriam conversar. Dizer das impressões, a tia queria contar como tudo se deu e esse meu amigo, queria talvez a certeza de que as ameaças, tudo o mais, eram vazias. Que ele já sabia que eram, mas nunca é demais ouvir opiniões similares.
Conversamos do assalto, dos problemas da segurança do país, da reeducação de infratores, de nossas respectivas namoradas e as crises conjugais. Eu, menos mau humorado, ele mais aliviado.

Percebe que se eu tivesse ido ao jogo…

A tia dele seria assaltada da mesma forma. De igual maneira ele iria me ligar e, ainda que eu não pudesse ir ao seu encontro, ele chegaria a ter o conforto que teve.
Sou só uma pessoa, sobre um planeta, que gira em torno de uma estrela, que por sua vez se situa em uma galáxia.
Eu sei que acreditar que não existem coincidências nos faz sentir especiais, mas a verdade é que não o somos, uma vez que… Não há para quem sermos!
Todos os dias morrem milhares de pessoas que simplesmente não terão suas faltas sentidas porque… Não há ninguém para sentir. Simples. E ao mesmo tempo morrem outras milhares que terão sua falta sentida por meia dúzia de pessoas: seus parentes, seus amigos mais próximos, as pessoas para quem aquela pessoa era especial. No fim, acaba que todo mundo é especial e isso é a mesma coisa de dizer que ninguém é.
Como dizia Cazuza:
Eu sou mais um cara…

No futuro, o passado já aconteceu

Posted in Bem vindo ao mundo do bizarro Alex on 2 Março, 2008 by Lucas Ed.

Eu nem quero um desses.
Me lembra umas reguinhas que quando eu era pequeno, viravam pulseira quando se batia no braço…

mas elas eram bem menos high-tech e divertidas, com certeza!

Cavar, cavar, cavar para fugir, cavar!

Posted in Apatia, Sonhos on 1 Março, 2008 by Lucas Ed.

Poutz…

Tanta gente viajando! Uma porrada de conhecidos estão perdidos pelos US and A, meu cunhado trama ir curtir os ventos canadenses (blame Canada!), o Felipe Gomes tá coisando as malas para barbarizar o velho mundo, o Leandro tá demolindo o nordeste de ponta a ponta…
E eu aqui. Indo aonde nenhum homem jamais esteve: a mesa do meu computador.

Damien.

Poha, explorar o mundo, lugares novos, outros países, outras línguas deve ser tão legal! Nessas horas eu tenho a nítida impressão que a vida está passando e eu estou simplesmente com a bunda colada na cadeira. Dá uma certeza de velhice crônica….

Lado A, lado B, lado B, lado A!

Posted in Chickeiro on 1 Março, 2008 by Lucas Ed.

Recentemente, o bom camarada, leitor e colecionador de AF’s¹ Fritador de Pastel, do Pastel de Vento, sugeriu que eu desse uma conferida no WordPress como nova fazenda para estabelecer meu Chickeiro.
A questão é que venho tentando dar uma repaginada aqui no Chickeiro IV, mas o blogger tá dando biziu e eu não consigo nem colocar o link de comentários do Haloscan (atualmente em uso) nem o link de comentários do próprio blogger, razão pela qual essa repaginada ainda não entrou no ar.

De qualquer forma, um pouco motivado por essa dificuldade e pela curiosidade de testar, criei o Chickeiro V, do WordPress. Ele não será meu blog oficial (exceto em caso de emergência), porque há muitas coisas lá que não me agradam. Mas fica lá guardadinho, como plano B.

Inclusive, todas as minhas postagens de acá já foram exportadas para lá, até a postagem anterior, “Eu não gosto”. Se você for um chickeiromaníaco (rá-rá-rá) sinta-se à vontade para adicioná-lo à seus Favoritos.

Nota Suína:
¹ – AF quer dizer “Action Figure”. Aquele nome pomposo para bonequinhos.