saudade sob aparência de remorso,
de tanto que não fui, a sós, a esmo
e de minha alta ausência em meu redor.
Tenho horror, tenho pena de mim mesmo
e tenho muitos outros sentimentos
violentos. Mas se esquivam no inventário,
e meu amor é triste como é vário,
e sendo vário é um só. Tenho carinho
por toda perda minha na corrente
que de mortos a vivos me carreia
e a mortos restitui o que era deles
mas em mim se guardava. A estrela-d’alva
penetra longamente seu espinho
(e cinco espinhos são) na minha mão.
Carlos Drummond de Andrade
Pode ser só o estresse desse fim de período, dessa correria, dessa má alimentação, dessas noites mal dormidas e desses dias mal acordados, desse desejo imediatista de mudar, de sair. Mas este poema, que há muito é minha apresentação no Yakult, hoje me bateu como um meteoro na cabeça…