Esta noite (bem, já era esta manhã) acordei, por volta das 4h da manhã, com uma dor de garganta filha da puta de forte. Levantei, tomei um leite fervido com própolis e… nada. Revirei na cama, morrendo de dor, até por volta de umas 5hs.
Quando acordei, estava com uma gripe dos diabos, como há muito tempo eu não tinha. Coriza, corpo pluri-dolorido, garganta como que rachada de cima a baixo. Eu estava um caco.
Quando deu a noite, tentei ligar pra Srª Porco, às 19hs. Ela não atendia o celular. Arrisquei ligar pra casa, ela não tinha chegado. Geralmente ela chega por essa hora, mas eu calhei esperar. Quando deu 20h30 e ela ainda não tinha chegado, começou a correr a 1h30 mais longa da minha vida.
A mãe dela não sabia do paradeiro da garota e, contaminada pelo meu desespero paranóico, desesperou-se também.
O celular, intransigente, continuava a tocar, tocar e tocar, sem resposta.
O desespero se instaurou com força, e trouxe consigo uma dor-de-cabeça lancinante. Mil idéias imbecis na cabeça: roubo, seqüestro, estupro e morte, roubo, seqüestro, estupro e morte, roubo, seqüestro, estupro e morte, roubo, seqüestro, estupro e morte, roubo, seqüestro, estupro e morte, roubo, seqüestro, estupro e morte.
O primeiro amigo foi avisado: Shitão. Tinha me ligado para nos chamar pra sair e ficou à par do ocorrido. Ficou no aguardo.
Roubo, seqüestro, estupro e morte, roubo, seqüestro, estupro e morte.
Celular na mesma, arrisquei mandar mensagem. A sogra ligou de novo: sem notícias.
Pensei em pegar o dylandog, colocar na cintura e procurá-la. Onde?
Segunda amiga avisada: FruFru passou a tentar ligar e o celular passou a dar ocupado.
De meu lado, assim que a Mariana entrou na jogada, passou a dar desligado.
Roubo, seqüestro ou latrocínio, passei a ter certeza.
A Srª Porco Geração I (minha genitora) entrou na jogada. Deu apoio místico, rezando. Além de atuar como uma sombra voadora, que aparecia toda vez que o telefone tocava.
No cúmulo do desespero, entrou a última e mais que fundamental peça no tabuleiro: Monocroma Joe, muito disponível, pôs o carro na estrada e foi atrás do último lugar em que a Srª Porco certamente estivera: o estágio.
A escola fechava por volta de 18h/18h30. Ir lá quase às 22hs era uma inutilidade sem tamanho, mas mesmo assim eu pedi ao Joe.
Continuaram as ligações inúteis, as orações e as dores (antes só na cabeça, agora pelo abdomen também).
Às 22hs, a ligação do Monocroma: a Srª Porco esteve, até àquela hora, numa reunião no estágio. Tinha avisado a mãe que, mal dos meus pecados, acabou esquecendo.
O celular, como de praxe, jazia esquecido, silenciado, numa bolsa, dentro dum armário, metros e metros de distância.
É sempre assim. Não sei porque ainda me preocupo.
Ao menos agora tenho uma nova companheira: uma úlcera com a profundidade da Foça Mariana no Pacífico.
Além da certeza do que minha mãe sempre diz: “Quem tem amigo neste mundo não morre pagão“.
Muito obrigado à todos os negritados, que, d’agora em diante, chamarei “Força Tarefa Suína“…