Elieções BHCity 2008: Refreando a putaria

Publicado em A desculpa é política, Reflexões às 6 Outubro, 2008 por Lucas Ed.
Não sei se você sabe, mas nós, eleitores sérios de Belo Horizonte, assistimos durante todo o processo pré-eleições, uma das maiores putarias políticas que este país já viu. Não bastasse a aliança insólita entre PSDB (na pessoa do ilustríssimo Governador Aécio “Scarface” Neves) e PT (na pessoa do incrível Prefeito Fernando Pimentel) ainda tivemos a indicação, por essa aliança de um candidato a prefeito envolvido nas investigações no Mensalão, aquele lance de dinheiro (e muito) que chocou o país meses atrás.
Não bastasse tudo isso, o Sr. Márcio Lacerda, do PSB (o candidato a prefeito indicado) viu as intenções de voto em seu nome passarem pela seguinte progressão: do total anonimato no início da disputa a 4%, depois 8% e, com o aparecimento dos dois governantes eleitos já citados, uma milagrosa arrancada para mais de 40% das intenções (coincidentemente, a arrancada se deu tão logo Aécio e Pimentel deram as caras no horário eleitoral em defesa do protegido). A mídia nacional, inclusive, chegou a dar vitória garantida em primeiro turno ao senhor Lacerda. Alguns intelectuais (e mesmo os outros candidatos) chegaram a apontar o caráter coronelista da participação de Pimentel e Aécio na campanha de Lacerda, sob a insinuação de que as obras vistosas que pululam BHCity iriam parar caso o Sr. Márcio não ganhasse. Uma putaria, senhores, uma putaria!
Entretanto, não sei porque nem bem de onde, surgiu nas pessoas um sentimento novo. Muita gente começou a falar sobre votar num outro candidato com o intuito de “forçar” um segundo turno. Eu fui um destes.
E fui recompensado! Numa disputa espetacular, ponto a ponto, Leonardo Quintão do PMDB conseguiu chegar, quase empatado, ao segundo turno com o Sr. Lacerda. Há, em muitas pessoas, um sentimento de cara lavada, pois teremos o segundo turno, a mostra de que, mal ou bem, uma parcela considerável do povo ainda pensa. Mais luta vem aí! (modo universitário revolucionário off)

P.S.: Em contrapartida, meus conterrâneos elegeram o salafrário do Sr. Cabo Júlio para vereador. A quem não sabe, esse indigníssimo senhor saiu corrido de Brasília, onde detinha o cargo de Deputado Federal por estar fortemente envolvido na máfia das ambulâncias… Acorda, minha Belo Horizonte malandra!

[Eu li] Turma da Mônica Jovem #02

Publicado em Eu li, HQ às 27 Setembro, 2008 por Lucas Ed.
Se você se lembra, quando li e resenhei a edição número 01 da nova empreitada do Sr. Maurício de Sousa, a nota foi um redondo zero. (Não lembra? Confere aqui!)
Daí você pergunta, com toda razão, por que cargas d’água eu fui comprar a segunda edição? Masoquismo? Dinheiro sobrando? Ataque histérico? Não senhores, não mesmo! Mera questão de justiça e curiosidade!
E eu explico. Como citei num post muito polêmico que escrevi ao Projeto Continuum, é comum que eu sempre dê uma “segunda chance” aos produtores que eu acho ruim: diretores, autores de livros, atores, alguns músicos (esse é o ramo mais difícil!), roteiristas de HQ… Enfim, eu acho difícil tomar uma decisão definitiva com base numa amostra só. Daí comprar a número dois de “Turma da Mônica Jovem”.
Digo uma coisa, na mais pura franqueza: o nível melhorou um bocado, mas isso ainda não torna a revista boa ainda. O roteiro continua raso e repetivivo, sobre isso nem uma palha se alterou: as situações continuam se sucedendo umas às outras sem muita ligação, rápido demais, artificial demais. Some à isso a solução pífia e furadíssima (diria até apressada) dada à conclusão e… D’oh, falhou. As expressões faciais exageradas do mangá também continuam dando as caras (com o perdão do trocadalho) à exaustão, mas ao menos aqui temos piadas mais eficientes, como a referência à Groo feita pelo Cascão (já a referência à Shrek II soou como cópia barata mesmo) e o lance da capa invisível, ocorrido com o mesmo personagem (disso eu não tenho dúvidas: os lances mais bacanas são protagonizados pelo sujinho mesmo!). Interessante, parece que entre o retorno da edição #1 junto ao público (há uma nota do Maurício no final da edição dando números – hoje em dia – assombrosos de vendas) fez com que se percebesse que um Cebolinha falando certo. uma Mônica que não bate em ninguém, uma Magali que não come e um Cascão que não tem medo de nada… Não têm graça nenhuma. E corrigiram. Ponto pra equipe da MSP.
Agora, as minhas reclamações novas (é, porque o que eu reclamei até agora é tudo repeteco das reclamações da edição 01): 1) O preço. O quê? R$ 6,40 pruma revista infantil, em papel jornal e preto e branco, que está vendendo como picolé no deserto (segundo a nota do Maurício ao final da edição)? Pô Maurício, pede logo um rim como preço de capa! 2) Essa é antiga, mas me incomoda mais nessa nova empreitada: Até quando o Seu Sousa vai continuar sendo um explorador do trabalho alheio e encher suas revistas de escritores e desenhistas fantasma? Pô, o que ele perde creditando as histórias? Seria bacana a gente ver se o roteirista se tocou das lambanças da edição 01 e melhorou nessa ed. 02 ou se simplesmente foi trocado! Em pleno século XXI, Seu Maurício de Sousa, isso soa como velhacaria da sua parte! 3) A nota do final. Entitulada “Fala, Maurício”, dá a entender que é o próprio Dr. Sousa quem está falando (mas eu não ponho a mão no fogo). Beleza, a revista tá fazendo sucesso (de público, porque de crítica… Não vi nada de muito animador não), tem aí um futuro promissor mas… A nota da edição soou absurdamente presunçosa. Sério, sem sacanagens. Baixa a bola aí, Dr. Maurício, que o jogo é fora de casa e vale três pontos…
Por fim, a pergunta que você deve estar se fazendo: eu vou comprar a edição #3? Vou sim. Essa edição deu uma leve melhorada, e pode ser que tenhamos começado um crescente. Acho que vou acompanhar todo esse arco clichêzento antes de decidir se largo de mão ou não. É ver pra crer, dizia a minha avózinha.

A Turma da Mônica Jovem #02, a aventura continua
Panini Comics (Planet Mangá), 130 páginas, papel jornal, preto e branco, R$ 6,40

Nota

Amanhã é 23

Publicado em Egóico, Eu escrevo, catarse às 22 Setembro, 2008 por Lucas Ed.

Nasci em 83¹

Eu não vi Kennedy morrer
Eu não conheci Martin Luther King
Eu não tenho muito para dizer… ?
Nasci em 83, nasci em 83
Eu não conheci os políticos
Mas conheci a mentira
Li tudo nos livros
Aprendi na escola
Eu não vi Kennedy morrer
Eu não conheci Martin Luther King
Eu não tenho muito para dizer… ?
Nasci em 83, nasci em 83
Eu posso morrer hoje
Meu dinheiro nada vale
Eu não quero segurança
Eu não vi Kennedy morrer
Eu não conheci Martin Luther King
Eu não tenho muito para dizer… ?
Nasci em 83, nasci em 83

Pois então, eis que hoje completo a marca de um quarto de século. Sim, mes amis, este que vos escreve acaba de completar 25 anos.
O que há para se comemorar? Certamente muita coisa, muito mais do que minha rabugisse me permite usufruir e citar.
Doutro ponto, o que há agora que não existia há, vejamos, dez anos atrás? Não existia a namorada, o carro, a barba, o porte de arma. Do contrário, existia o cabelo, a paixão platônica, a bicicleta, a novidade dos óculos, a tensão pelo fim do primeiro grau. Com isso quero dizer que era tudo melhor do que é? Não, não era, não tudo. Era diferente, diferente bom, diferente mesmo.
Dez anos e tudo muda, e tudo mantém-se igual. Parece contraditório, confuso, pós-moderno? Pós-modernidade foi algo que ganhei nesses dez anos. A pós-modernidade me faz saber que essa nostalgia pelo tempo ido só encontra equivalência no desejo de futuro que eu sentia naquele tempo. A grama do vizinho é sempre mais verdinha? Verde sequer é a cor do desejo: a grama do vizinho simplesmente nunca é a minha. Meu passado não sou eu, meu futuro muito menos: vinte e cinco anos não dizem nada. É apenas mais um entusiasmado passo rumo a morte, porque seria diferente? Porque seria ruim? As coisas são como são, vinte e cinco é igual a quinze, que é igual a cinco, que são iguais a nove meses: só aumentei a carga no supino.

Com isso tudo quero dizer que é preciso agradecer aos anos pelo que me trouxeram, mas tendo em mente também que muito me tiraram. A vida é um imenso perde/ganha, muito maior, mais bonito e mais complexo do que disse o beócio do Marcelo D2. Fico melhor com Itamar Assumpção²:

Resolvi sair por aí chutando pedras
Contando estrelas, cometas
Por dentro mil pensamentos
Perguntas do tipo
Que vida é essa?

Uma voz dentro da noite
Respondeu-me como assombração
Isso é tudo que te resta!

“Resta” é palavra boa. De olhar para trás vejo todas as coisas que não fiz, todas as que fiz e não aproveitei: trago nas mãos apenas o que restou. Amanhã restará menos, e depois menos ainda e menos, menos, até quando a morte baterá a porta e dirá: “Não lhe resta mais nada. Segue-me.” E eu seguirei esgotado. Esgotado e, porque não? Feliz. Fazer aniversário pede que nos lembremos do destino dessa caminhada, dessas perdas, do caminho imenso de anos que caminhamos – o destino é o descanso.
Não pensem os senhores que o “cumpleaños” me fez nostálgico e melancólico: como disse, a primeira é culpa da pós-modernidade; a segunda, da própria vida mesmo.

“Quando me sinto assim
Volto a ter quinze anos
Começando tudo de novo
Vou me apanhar sorrindo

Seu amor hoje
Me alimentará amanhã
Eis o homem
Que se apanha chorando

Vivendo e não aprendendo
Eis o homem, este sou eu
Que se diz seguro
Que se diz maduro

Seu amor hoje
Me alimentará amanhã
Eis o homem
Que se apanha chorando.”³

Ah, e eu sei que assim falando pensas que este desespero é moda aos de 83. Mas ando mesmo descontente, desesperadamente eu grito em português: tenho vinte e cinco anos de sonho e de sangue e de América do Sul. Por força deste destino, um tango argentino me vai bem melhor que um blues…
É assim que me apresento: com o que sobrou de mim.

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Este intencionalmente confuso post contou com enxertos de várias músicas do cancioneiro popular brasileiro. Referendo aqui os três maiores trechos, e deixo os demais camuflados: fica como esporte cultural para cada leitor descobrir o que é meu de nascença e o que virou meu pelo uso.
¹ Pequena alteração na letra de “Nasci em 62″ do Ira!, uma composição de Edgard Scandurra.
² Trecho de “E o Quico”, composição de Itamar Assumpção.
³ “Quinze anos”, também do Ira! composição de Edgard Scandurra e Gasparini, conforme o acervo de letras do Terra.

A palavra de hoje é: Rabugento

Publicado em Egóico, Pulsão de morte às 20 Setembro, 2008 por Lucas Ed.
ra.bu.gen.to

1. diz-se daquele que reclama de tudo, ranzinza, ranheta.

É, eu estou rabugento hoje. Desestimulado, irritado, desgostoso de tudo. Não quis ir ao show da Roberta Sá, ou descer para mexer no carro, ajeitando uma coisa ou outra como gosto de fazer. Não comecei a releitura de “Reino do Amanhã”, minissérie que escolhi como tema do meu trabalho de Experiência Elementar I. Dos três relatórios sobre clientes que tenho de entregar na clínica, só comecei um. E está longo e ruim, e eu não sei o que escrever e, se soubesse, também não estaria afim de fazer. Ranheta, tá vendo? Só me dediquei (e por pouco tempo) aos bonecos do bolo de casamento do Fabrício e da Carol. Só vesti (parcialmente) a Carol e o Fabrício, que continua sem braços, mãos ou pés. Ao menos agora a Carol já tem cabelo e está praticamente pronta, mas foi particularmente penoso hoje.

Na verdade, minha única vontade é de comer algo que não sei o que seria, encher a boca e a barriga. Mas… eu falei que não sei do que seria?
Pois é.
Rabugento.

[Eu tenho] Lanterna Verde: O Reino do Amanhã "action" figure

Publicado em Eu tenho, Quadrinhos, Resenha às 17 Setembro, 2008 por Lucas Ed.

1. Introdução

Uma de minhas histórias em quadrinhos favorita de todos os tempos é “O Reino do Amanhã” (”Kingdom Come“, de Mark Waid e Alex Ross). É uma história sensacional, semi-apocalíptica, sobre mudanças de comportamento, fracasso, arrependimento e redenção. A estrela da minissérie é, sem sombra de dúvidas, um amargurado Superman. Mas ele (e a mini) não teriam tanto brilho sem seus coadjuvantes. Gente de peso, como Batman, Mulher Maravilha, Lex Luthor… E ele: o Lanterna Verde.
Uma coisa curiosa: sempre quando a gente toma conhecimento de uma alteração no roteiro de uma obra foi feita pela editora, o resultado é tragicamente lamentável. Ao menos o que tange minha opinião pessoal, a intromissão da cúpula da DC no projeto de RdA foi sensacional! mas eu explico: todo mundo sabe que o ilustrador Alex Ross, famoso por sua arte realística, é um fã ardoroso dos quadrinhos das Eras de Prata e Ouro, e tende a discriminar tudo quanto é mudança imposta a esses conceitos pela contemporaneidade. Quando Waid escreveu o roteiro de “Reino…”, contemplou um papel, coadjuvante mas importante a um Lanterna Verde, mas sem especificar qual. Pelinha como só ele, Ross enfiou logo Hal Jordan na história. E aí entrou o veto da cúpula da DC: Jordan estava morto, morto e enterrado, e colocá-lo numa história futurista seria gerar sobre a editora uma pressão que ninguém tava afim de agüentar. A solução? Colocar outro Lanterna. A DC teria sugerido Kyle Rayner, mas Ross recusou (sério? Não diga…) e acabou se acertando por colocar aquele que é meu lanterna favorito: Alan Scott, da Era de Ouro! O resultado final foi excelente. Scott tem uma humanidade e uma vida seguida de tragédias pessoais tão significativa que outro Lanterna nenhum sequer chegou perto. Exatamente o tom que a mini pedia.

Em RdA, todos os heróis mudaram. Superman se exilou depois que o mundo preferiu “heróis” que fizessem aquilo que ele nunca aceitou fazer: eliminar os vilões. A Princesa Diana aceitou de vez que, para que haja paz é preciso ter armas para a guerra. Batman levou às últimas conseqüências a máxima de que “o preço da liberdade é a constante vigilância” e fez de Gotham City um forte (de forte-apache) hiper-seguro. Rápido demais, o Flash agora não pára: está em todos os lugares ao mesmo tempo. E o Lanterna Verde, último componente do quinteto maior da DC, no anseio de proteger melhor o planeta simplesmente saiu dele, e passa a observar tudo de cima, num satélite esmeralda. Já não usa mais o famoso anel, nem a limitante bateria: sua armadura encarna a fonte de energia, e seu anel, a arma mais poderosa do universo assumiu realmente essa forma. É uma arma o tempo todo.
Quando eu vi as primeiras imagens das action figures (os famosos bonequinhos) dessa série, enlouqueci. A escultura demonstrava ser nada menos que perfeita, as cores, excelentes e a escolha de personagens tinha tudo para arrebentar. De longe, Batman e Lanterna Verde se tornaram meus alvos (nos sonhos baby, nos sonhos) ideias. Aparentemente tudo ia ficar só no campo do desejo quando uma vendedora do Mercado Livre, com quem já travei contato antes, pôs à venda um Lanterna por um preso irresistível. Era a minha chance! Comprei-o-o!

2. A figura

Um detalhe que eu não havia prestado atenção antes da compra é que a figura do LV que estava adquirindo se referia há uma nova wave de RdA que a DC Direct estava lançando, chamada Re-Activated. Nessa série (que se extende a outras séries DC Direct, não só Kingdom Come) alguns bonecos já lançados tem uma nova remessa, com algumas alterações de pintura e cartela nova. Para RdA, quatro figuras entrarem em Re-Activated: Superman, Mulher Maravilha, Batman e Lanterna Verde. Se isso (o relançamento) tem um lado bom (o barateamento das figuras e uma nova chance de adquiri-las pelos colecionadores… menos atentos ou capacitados) tem também um lado ruim também (a embalagem, que passa longe do capricho da série original e o insosso suporte genérico para a figura). De qualquer forma, para uma análise melhor dos prós e dos contras da linha Re-Activated, aconselho o review da figura do Batman feito pelo camarada Fritador de Pastel, em seu blog Figuras de Ação.
Assim, tirando a pobreza da embalagem a série tem seus ganhos. Ainda, apesar de minha chatice, essa mesma embalagem pode não ser bonita, mas cumpre bem sua função: proteger a figura. O famoso “sarcófago”, aquela espécie de moldura plástica em que a figura vem acomodada é muito bom, bom até demais: chega a dar medo na hora de tirar o LV de lá e estragá-lo!

Aberta a embalagem e tendo retirado com muito cuidado a figura, tomamos conhecimento de que não é mesmo um brinquedo (caso alguém não soubesse até aqui), pois tem-se pouquíssimos acessórios. Na verdade, na embalagem além da figura só temos sua espada e a já hogerizada base genérica. Inclusive, esse caráter “não-brinquedístico” da figura ficará mais evidente logo mais, quando eu me detiver sobre a questão das articulações.
Quanto à figura mesmo, bem, posso dizer pouco dela além de que é belíssima. Escultura e pintura são absurdamente fiéis (tá, os cabelos deveriam ser um pouco aloirados mas… é picuínha demais da minha parte) e a sacada de fazer o personagem com a espada translúcida (poderia ser a lança de justa, que ele também usa na mini e/ou feita em plástico fosco) ficou muito bom. (ainda que aqui caiba nova ressalva: o tom de verde da espada no verso da embalagem está bem mais interessante, ainda que o tom real se aproxime mais do usado na revista). O escultor, Tim Bruckner realmente merece os parabéns.
Afora a questão da cor dos cabelos, não achei nada que pudesse recrimar na figura no quesito pintura/escultura. Talvez umas pequenas (quase imperceptíveis) rebarbas plásticas nas pernas, mas aí eu estaria sendo rabugento. Coisa que eu não sou (rá-rá-rá). Como se pode ver nas fotos publicas neste post (todas as da sessão 2 em diante foram tiradas da minha própria figura) o Lanterna Verde possui as mãos esculpidas em posições distintas: a direita semi-fechada (para segurar a espada) e a esquerda aberta, espalmada. Aqui se encontra minha única crítica real ao trabalho de Tim Bruckner: entendo a função da mão espalmada (segurar a lâmina da espada, repousando-a) mas ele ficou espalmada demais na minha opinião. A mão está muito aberta, numa posição de dedos até meio desconfortável. Por ser praticamente inútil, penso que ele poderia estar fechada, tal qual está na imagem que abre este post. Mas tudo bem.
Um ponto que é sempre importante abordar na análise de uma action figure é a sua capacidade de ação, que se define, sobremaneira, pelo número de articulações que ela tem. Pensando nesse aspecto, eu sequer fico em dúvidas ao qualificar este Lanterna Verde Reino do Amanhã como uma non-action figure ou uma “action” figure: seus pontos de articulação são tão poucos que ele está mais para estatueta, cabem nos dedos de uma mão (do Lula até!): ombros, antebraços (rotação apenas) e pescoço (igualmente apenas rotação). Inclusive a articulação dos ombros é bem limitada pelas ombreiras da armadura, descrevendo pouco mais de 180º de movimentação. Lembra que eu falei do caráter de não-brinquedo da figura? Pois é, as poucas articulações reforçam isso. Certamente que as crianças de antigamente, da minha geração para trás se divertiriam horrores com esta figura (oras, nós adorávamos os heróis Marvel em plástico monocromáticos! Os soldadinhos e índios de plástico estáticos e até – no meu caso – carrinhos de barro!), mas as crianças de hoje, acostumadas com seus Max Steels da vida, certamente quebrariam nosso amigo Alan em dois tempos, tentando fazer com que ele desse um simples chute…
Inclusive, sobre a solidez da figura, ela é tão bem planejada que, exceto por uma ou outra posição (que traga por exemplo a espada muito à frente do corpo) a base é totalmente dispensável. Como se pode ver na figura aí ao lado (que marotamente está apoiada na própria espada).

Bem, o veredicto final (oh redundância!) é somente um, e acaba dependendo mais de você do que de mim: se você é um colecionador de Marvel Legends ou gosta mesmo é de figuras ultra articuladas para fazer milhões de poses nas suas prateleiras (e isso não é crime) passe longe desta figura. Sério mesmo, ela não se presta a isso. É melhor ter esperanças de que um dia a Mattel lance o Lanterna Verde Kingdom Come de variante na série “DC Universe”, te atenderá melhor. Agora, se você gosta de AF’s para enfeite, para embelezar sua mesa ou sua prateleira de encadernados de gibis, e o mais importante, se curtiu (como eu curti) Reino do Amanhã… Meu amigo, abre logo aí seu Mercado Livre e procura a peça. Fale muitíssimo a pena, é realmente uma das mais belas coisas de plástico que já vi. E olha que eu tenho uma parceria de muitos anos com brinquedos e colecionáveis!

Lanterna Verde Reino do Amanhã action-figure, DC Direct (linha Re-Activated) importado

Copacabana (Devaneios de um cubano cubista)

Publicado em Nós às 9 Setembro, 2008 por Lucas Ed.
Copacabana (Devaneios de um cubano cubista)
Leonardo Bursztyn

Por você aprenderia
Esperanto e traria
Gorbatchev para uma série de palestras
Na casa da minha tia
Onde todos beberíamos chá
Na cada da minha tia
Fofocando sobre a Perestroika

Por você escreveria
Um livro sobre o insólito
Um almanaque simples, óbvio
Guia completo do amor
Uma enciclopédia do utópico
Um dicionário do amor

E em cada verbete
Um singelo lembrete:
“Em sua companhia quero estar”
Quero te ver de corpete
Te guiar num Corvette
E seguir sem destino pra chegar

Minha intuição não me engana
Você faz-me ser tão Copacabana
E o inferno lembrar
Fim de semana

Por você a Babilônia
Seria ali na esquina
E o Mar Mediterrâneo, uma mísera piscina
Cercada de cerca viva
Isolando nosso condomínio
Cercada e bem protegida
Pros Paparazzi não poderem olhar

Por você lecionaria
Yoga, Tai-Chi, terapia
Se a fizesse feliz e distendida
Buscaria em shopping centers
O elixir do Marajá
Comeria perdiz e ananás
Se estivesse prestes a te beijar

E em cada verbete
Um singelo lembrete:
“Em sua companhia quero estar”
Quero te ver de corpete
Te guiar num Corvette
E seguir sem destino pra chegar

Minha intuição não me engana
Você faz-me ser tão Copacabana
E o inferno lembrar
Fim de semana

______________________

Substitua “em sua companhia quero estar” por “em sua companhia quero continuar” e “Corvette” por “Chevette” e fica tudo certo.
E que venham mais 1006 anos.
Porque eu amo essa menina!

Um singelo lembrete: em sua companhia quero estar!

Publicado em Novos Baianos, Nós às 8 Setembro, 2008 por Lucas Ed.
A Menina Dança
Galvão – Moraes Moreira

Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos

Só entro no jogo porque
Estou mesmo depois
Depois de esgotar
O tempo regulamentar

De um lado o olho desaforo
Que diz meu nariz arrebitado
E não levo para casa, mas se você vem perto eu vou lá
Eu vou lá!

No canto do cisco
No canto do olho
A menina dança

E dentro da menina
A menina dança
E se você fecha o olho
A menina ainda dança
Dentro da menina
Ainda dança

Até o sol raiar
Até o sol raiar
Até dentro de você nascer

Nascer o que há!

Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos

Ela já dança há seis anos.
E é sempre bonito, como na primeira vez.

Paradoxo

Publicado em Bem vindo ao mundo do bizarro Alex, Explicações às 1 Setembro, 2008 por Lucas Ed.
Paradoxo. A postagem de hoje é só para marcar que, contrário do que vinha fazendo, esse fim de semana não escrevi nada e, portanto, não postei nada.
E segue a vida.

[Crônica] Mulheres de Jerusalém

Publicado em Eu escrevo às 29 Agosto, 2008 por Lucas Ed.
Duas vezes por semana, quatorze, vinte e quatro horas de cada vez, elas estão lá.
Ainda que eu me disfarce de muro intransponível, de criatura transcendental há ponto de, ao mesmo tempo, saber e não sentir, elas estão lá.
Os olhos são um pouco embaçados às vezes, outras nem tanto. Muitas vezes são simplesmente vazios, lacrimosos, incrédulos. Ao contrário dos curiosos, não fitam as armas dependuradas pelos meus ombros, cintura, mãos. Não olham o carro parado, imponente, bicolor, luzes acesas. Em verdade, nem mesmo me fitam ali, naquele momento. Mas é como se me olhassem por dentro, o tempo todo.
Ao final daquelas horas, armas depostas, carro abandonado, abrigado e imóvel, vou-me de volta para minha própria vida. Aos meus amigos bonitos, inteligentes, bem nascidos, bem alimentados. Vou falar dos casos que vi, das provas que virão, dos jogos de futebol que eu não verei, dos filmes. Fingir que esqueço deles. Dos olhos, das vozes.
Não, eu não vejo a televisão. Não quero saber das notícias ruins, das mortes, dos seqüestros, dos latrocínios e de toda essa sorte de palavras estranhas e ruins que o homem inventa e que, de repente, se voltam contra ele. Ainda que existam, que me possam ser oferecidas coisas boas pela televisão, as ruins são maiores e piores, e eu não quero correr o risco de dar força a eles, aos olhos, às vozes, às lamúrias.
Mas não é possível, pois me seguem.
A primeira, era muito forte. Não chorava. Os olhos estavam um pouco marejados, a voz sem muita força, mas firme. Contou-me a história que eu queria ouvir. Pr’essa senhora, o filho havia morrido no dia do aniversário. Era o caçula de três. Numa escalada de mortos, era o segundo. Talvez o do meio. Morrera por tiros. Do outro lado da arma, um sujeito qualquer, um criminoso como não podia deixar de ser. Um assassino já experimentado, experimentado pelo menos uma vez pregressa: matara também o filho mais velho daquela mulher. Seus olhos marejados ganhavam sentido agora, na fraqueza que transmitiam: eram um tanto quanto acusatórios, como se dissessem, a todo instante, a mesma coisa: “Você não fez nada na primeira vez, não fará agora”. Entretanto, ao contrário do que parece, não exigiam nada. Mostravam consciência de quem sabia que, apesar da dor, nada havia para ninguém fazer. Cada homem podia escolher seu destino, e, aquele filho que ela preparava para enterrar em algumas horas, escolhera muito mal. Mas saber não diminui o sentir.
E, aqueles olhos marejados e opacos, passaram a me seguir.
A eles se juntaram outros tantos. Uns tão inchados que nada deles se podia ver. Uns interrogando “O que será de mim agora?”, outros acusando: “Porque você não faz nada, virão levar também meus outros filhos!”. Uns incrédulos, chamando pelo nome dos filhos mortos: “Davi, que te fizeram, Davi! Levanta menino, está sujando sua roupa toda nesse sangue! Davi!”. Raros, alguns esperam redenção e força frente à firmeza e segurança que eu, amador, enceno, e dizem: “Cuida dos meus outros meninos! Não deixa que façam isso aos nossos outros filhos!”. Como que se esperassem, na minha figura esguia, um Cristo, um salvador. Não são capazes de ver que, em verdade, o que têm a frente é mais Judas do que Cristo. Estes olhos ao contrário dos outros, machucam muito mais pois não trazem mais em si, reluzindo torpe e débil, aquela chama de esperança. Não sabem que o mundo é, antes de tudo, cinza, e que não há mão ou gesto salvador vindo dos céus (ou Deus, de mim mesmo!) capaz de lhes secar o pranto, de lhes dar o conforto que nunca lhes deveria ter sido tirado.
São eles todos. Os olhos, os sonhos arruinados das mulheres de Jerusalém. Aquelas todas que não ouviram, que ousaram, que geraram, amamentaram. E enterraram.

Eles todos me seguem. Sete vezes por semana, vinte e quatro horas de cada vez. Os olhos, as vozes, as lamúrias e os choros das abandonadas mães de Jerusalém.

“Mulheres de Jerusalém, não chorem por mim! Chorem por vocês mesmas e por seus filhos! Porque dias virão, em que se dirá: ‘Felizes das mulheres que nunca tiveram filhos, dos ventres que nunca deram à luz e dos seios que nunca amamentaram.’”
(Lc 23, 28-29)

O aborto

Publicado em Individualismo, Reflexões, Vida moderna às 24 Agosto, 2008 por Lucas Ed.

[o post a seguir surgiu à partir de um comentário que fiz no Makaber Magie. É, portanto, um post de resposta, e recomenda-se que previamente seja lido o post original, aqui]


Bora elencar algumas razões contrárias ao aborto, na medida do possível, fora da moral judaico-cristã ocidental (admito a dificuldade: apesar de hoje ateu, fui católico quase a vida inteira).

1) É quase sempre desnecessário.
Para a grande, imensa maioria das situações em que se toma o aborto como possibilidade, há opções mais humanas. Desde pílula do dia seguinte (para relações sexuais não-consentidas) até os mais simples, como camisinhas e pílulas comuns, para situações com consentimento mútuo. Evidentemente, há situações em que só o interrompimento intencional da gravidez seria efetivo, como em casos de anencefalia e risco de morte da mãe. Para os casos de estupro também mas, como disse, (nesses casos) pode-se “contornar” o aborto.

2) Doze mulheres e uma sentença?
O post apresenta, no segundo motivo, que trata-se de uma questão de direito. Ainda que a afirmação fique contraditória ao lembrar que nossa Constituição e Código Penal criminalizam a prática, lança o seguinte argumento, com ganas de justificar-se: “existem dúvidas sobre os direitos do embrião/feto”. A máxima do Direito diz que in dubio pro reu, ou seja: a dúvida é insuficiente para a condenação. Se ela existe sobre os direitos do embrião/feto, então se considera que ele os tem, até que algum jurista postule em definitivo. É o velho dilema brilhantemente apresentado em “Doze homens e uma sentença”, a título de ilustração.

3) É uma questão econômica.
Uma cirurgia de aborto segura não é o procedimento mais barato do mundo. Os ricos se refestalam de uma liberação dessas, assumindo a sexualidade de maneira irresponsável e remediando-a através de seus bens. Aos pobres, que você aponta como uma das razões para a liberação, a estes restarão duas opções: o SUS e as técnicas “artesanais” (chá, preparados, drogas caseiras e modos violentos). O SUS não é rápido o suficiente para que a operação se enquadre no meu “motivo bônus” (veja abaixo) e as técnicas artesanais… Bem, acho que os resultados delas (sobretudo para a mulher) já falam por si, não?

4) É uma questão de bom senso histórico.
O direito sobre si própria da mulher (no que tange à vida sexual, por exemplo) foi garantido já em 1951, com o descobrimento da pílula anticoncepcional, e se encontra plenificado hoje em dia: pode-se obter o fármaco gratuitamente nos postos de saúde por mulheres carentes. O aborto (exceto em casos extremos, já citados) é mais um paliativo frente à irresponsabilidade que reina em nossos dias. É evidentemente mais difícil e trabalhoso planejar-se do que simplesmente pagar e extirpar o incômodo. Mas é realmente mais inteligente?

5) É uma questão de educação.
Porque a nossa educação é falha ao inserirem os jovens de maneira responsável na vida sexual, não se justifica aprovar uma lei (ou comportamento) tão polêmico e radical. Uma forma inteligente de abordar a situação é primeiro criar bases educacionais sólidas e depois se rediscutir o assunto. Acredito que numa sociedade consciente, o aborto pode ser legalizado, mas seria pouquíssimo utilizado. Provavelmente, só nas situações em que ele já é tolerado hoje em dia. Autorizar a prática hoje, com o (precaríssimo) nível de conscientização que as pessoas têm (sobretudo aquelas oriundas de classes menos favorecidas) seria autorizar uma carnificina. Um tiro no pé da própria saúde pública…

Motivo bônus) É uma questão de consciência [refere-se ao motivo 3 do post original]
“Retomando o raciocínio da bióloga geneticista Mayana Zatz” então o aborto só pode ser feito até o terceiro mês (12ª semana) de gravidez. Nós sabemos que isso não é verdade, nem é esse o desejo. Se a liberação do aborto passa pela liberdade total da mulher sobre “si”, então como ficaria essa restrição temporal? Limitante?

No fim, admito que muito da discussão acerca do aborto que se vê por aí é mesmo permeado pela mentalidade judaico-cristã. Não que isso seja intrisecamente ruim: na falta de uma moral laica popularizada, a versão religiosa em voga tem nos servido bem em quase todos os casos.
Mas, fazendo um exercício de imaginação: aqueles que defendem o aborto, pensam em situações que ele não seria permitido ou bastaria a vontade da mulher de fazê-lo e pronto?
Dizendo claramente onde quero chegar: uma mulher faz um ultra-som e vê que está grávida de um menino, mas quer ter uma filha. O aborto é uma opção? Ou ainda: a mulher embarca numa relação extra-conjugal e engravida. O aborto é opção válida para se fugir das conseqüências da traição? Isso acontece hoje em dia, na clandestinidade? Não duvido. Mas essa constatação (de que acontece mesmo) é o suficiente para ganhar o aval da sociedade?
Outra questão, qual seria a relevância da opinião do pai da criança sobre a decisão? É evidente que o maior fardo da gravidez cabe à mulher, que carrega e nutre o feto por nove meses. Mas ainda somos uma espécie que se reproduz sexualmente: um embrião/feto tem 23 cromossomos de cada um dos pais. Exatamente o mesmo de um e de outro. Como se soluciona a questão?